Os empresários brasileiros estão perdendo uma excelente oportunidade de ganhar dinheiro.
Reportagem publicada, com exclusividade, na edição de hoje no BRASIL ECONÔMICO revela que, no ano passado, as empresas brasileiras investiram fora do país menos da metade do montante registrado em 2010.
O desembolso no exterior caiu de US$ 26,8 bilhões para pouco mais de US$ 11 bilhões, de acordo com estudo da Faculdade de Economia da PUC de São Paulo.
Não é difícil descobrir os motivos: a crise global que assola as maiores economias do mundo e a pujança demonstrada pelo mercado interno nos últimos anos.
O que é difícil entender é por que as companhias locais não seguem um velho mandamento do capitalismo: comprar na baixa para vender na alta.
Afinal, com a impressionante retração na atividade produtiva americana e europeia, os valores dos ativos nessas regiões chegaram perto dos menores níveis da história e, portanto, tornaram-se atraentes - pelo menos do ponto de vista financeiro.
Pode-se enxergar o fenômeno por dois ângulos. Um deles pela oportunidade de se adquirir um bem numa espécie de saldão corporativo, ou seja, trata-se de um bom negócio.
Outro ângulo é o estratégico. As companhias brasileiras têm a chance de acentuar (ou, em alguns casos, iniciar) seu processo de globalização investindo menos do que em momentos de prosperidade econômica na Europa e nos Estados Unidos.
Não o fazem, e isso revela traços culturais difíceis de serem removidos. Vamos a eles. Um: os efeitos de uma economia que permaneceu fechada durante décadas e que até hoje sofre recaídas de protecionismo. Boa parte dos empresários locais sente-se mais confortável atuando apenas no mercado interno do que em investidas por praias que não conhece profundamente. Dois: a visão de curto prazo.
O estudo da PUC mostra que os investimentos externos das companhias brasileiras diminuíram em países da Europa e nos Estados Unidos e cresceram na Argentina e no México.
Em outras palavras, os mercados eleitos são aqueles que crescem neste momento e oferecem retorno mais rápido, mesmo que o ingresso neles seja mais caro.
Os empresários não percebem que não existe crise que perdure para sempre, e quando economias dos países desenvolvidos voltarem a pulsar, os consumidores de mais alto poder aquisitivo do mundo estarão ávidos para suprir uma demanda reprimida nos últimos anos.
Nesse momento, que pode demorar anos para chegar, os ativos locais já estarão bem mais caros. Capitalizadas, as empresas brasileiras estão - ou podem ficar.
As mais recentes emissões de títulos no exterior comprovam que o mercado de capitais está aberto para organizações verde-amarelas.
É, portanto, uma tremenda janela de oportunidades, que as empresas brasileiras podem estar perdendo.
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Joaquim Castanheira é diretor de Redação do Brasil Econômico
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