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Carolina Cabral Murphy

A lição do Golfo

28/05/10 07:09 | Carolina Cabral Murphy - Fundadora da MicroEmpowering.Org



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Por que uma economia de US$ 500 mil para uma empresa com valor de mercado estimado em US$ 192 bilhões em janeiro de 2010 acabará custando US$ 10 bilhões ou mais?

No caso do derramamento no Golfo do México, bilhões de dólares em custos de limpeza estão em jogo, e também as reputações das empresas Transocean, Anadarko, Halliburton e Cameron.

Em uma estimativa recente, um analista da Merrill Lynch mencionou que os custos para as empresas envolvidas pode chegar a US$ 31 bilhões.

Isso representa um problema gigantesco para a indústria de petróleo, que é crucial para a produção da maioria dos bens de consumo utilizados no dia a dia, como roupas, eletrônicos, garrafas de plástico e até remédios.

O petróleo faz parte da cadeia de produção de quase todos os produtos consumidos pela humanidade.

Mas como esse acidente se aplica ao Brasil? Aqui ainda existem empresários e investidores que percebem a sustentabilidade com desconfiança. Mas em um mundo globalizado, o risco ambiental e os impactos desses desastres precisam ser avaliados com seriedade.

O controle integrado desses riscos, alinhado a uma política de gerência das emissões de CO2 (gás carbônico), representa uma vantagem competitiva, e não um custo adicional para a indústria e comércio.

A indústria de petróleo é importante para o desenvolvimento regional e tem que ser parte do processo de mitigação ambiental.

Acredito que tanto a população quanto os governadores e prefeitos do Rio, São Paulo, Espírito Santo e Bahia não estão interessados em um desastre parecido.

No começo do processo, Tony Hayward, o executivo-chefe do grupo BP (British Petroleum), disse à BBC: "Essa não foi a nossa plataforma de perfuração e não foi o nosso equipamento".

Ele referia-se à plataforma construída pela Transocean. Steven Newman, CEO da Transocean - perfuradora mundial de poços de petróleo- reagiu dizendo: "Não é adequado especular sobre o que pode ter causado a falha catastrófica de uma válvula que foi cimentada com antecedência à investigação".

Outros comentários de Newman sugeriram que as empresas subcontratadas seriam responsáveis por essa parte da operação.

O projeto de cimentação foi executado pela Haliburton, empresa da qual o ex-vice-presidente dos EUA, Dick Chenny, foi presidente de 1995 a 2000.

De acordo com os depoimentos, horas depois da cimentação ter sido concluída o poço já estava ativo e os problemas de pressão começaram a ocorrer, causando a primeira explosão.

A quantidade de óleo jogado no golfo do México será capaz de danificar a produção de uma das áreas de pescaria comercial mais valiosa do mundo.

Apenas na Louisiana, os recursos financeiros provenientes da venda de frutos do mar representam uma indústria de US$ 2,4 bilhões.

Mas lamentar o ocorrido é perda de tempo. É preciso identificar as oportunidades de aprendizado para que catástrofes parecidas não ocorram no Brasil.

Daí a importância da criação de medidas para aumentar a segurança da exploração de petróleo offshore, bem como a criação de regras adicionais para usar parte dos lucros no investimento de mecanismos de redução do CO2.

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Carolina Cabral Murphy é pesquisadora da Universidade Columbia e fundadora da MicroEmpowering.Org


Comentários

João Batista Gurgel, Rio de Janeiro- RJ | 02/06/10 20:54
Um dos aspectos mais interessante do artigo é onde enfoca o jogo de interesses entre as grandes corporações do Petróleo desconsiderando os possíveis riscos de acidentes e as consequencias danosas ao meio ambiente.


Myrian da Cunha, Rio de Janeiro-RJ | 02/06/10 21:10
O artigo resume muito bem os riscos da exploração de Petróleo em aguas profundas e as precauções que devem ser respeitadas


Mariana Seixas, Rio de Janeiro- RJ | 03/06/10 22:20
O artigo ressalta muito bem os riscos da operação de extração de petróleo em águas profundas e as consequências no caso de acidente destas proporções


Joaquim Guimarães, Rio de Janeiro- RJ | 03/06/10 22:34
O acidente com a plataforma da BP no golfo do México está diretamente ligado ao alto nível de ríscos neste tipo de extração de petróleo e o artigo retrata muito bem que a operação para ser mais segura necessitaria de um maior empenho.


Nelma Vieira, Rio de Janeiro-RJ | 04/06/10 17:44
A extração de petroléo é extremamente perigosa, mas necessária.
Acho importante ressaltar, como explica a colunista, o jogo de interesses das grandes empresas nessa área de extração; que colocam para segundo plano uma perfuração e uma extração mais segura que visariam proteger o meio ambiente, a sociedade e os plataformistas que nelas trabalham.


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