Ticker Bolsa 1

Ticker Bolsa 2

Marcelo Mariaca

A tragédia da evasão escolar

16/01/12 07:19 | Marcelo Mariaca - Presidente do conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School



"Pai, mãe, decidi largar a universidade." Essa é uma frase que dez entre dez pais odiariam ter de ouvir do filho ou da filha.

O diploma superior é visto como um dos passaportes para o sucesso pessoal e profissional, principalmente pelas pessoas que sabem que a universidade tem forte influência na mobilidade e ascensão social.

É verdade que grandes empreendedores brasileiros inovaram e construíram grandes negócios e fortunas sem terem diploma superior.

A lista é enorme, mas os mais conhecidos são Eike Batista, o ex-vice-presidente José Alencar, que criou um dos maiores grupos têxteis do país, Alair Martins, dono do maior grupo de logística, Abraham Kasinsky (Cofap e depois uma fábrica de motocicletas que leva seu nome), Samuel Klein (Casas Bahia) e Silvio Santos.

Não se trata, como a jabuticaba, de um exotismo brasileiro. Entre os homens que costumam frequentar a lista dos mais ricos do mundo, empreendedores e líderes de grandes empresas, alguns também não concluíram o curso superior, como Bill Gates e Paul Allen (Microsoft), Larry Ellison (Oracle), Li Ka-Shing (o mais rico da Ásia), Michael Dell e o falecido Steve Jobs.

A moçada tem exemplos mais recentes, entre eles Mark Zuckerberg, o nerd que pulou fora da prestigiada Harvard depois de ter criado o Facebook.

Na era da informação, não é uma raridade estudantes talentosos se desinteressarem da educação formal depois de descobrirem nas garagens de suas casas ou nos dormitórios das universidades uma inovação que mudará o rumo de suas vidas.

E a trajetória desses empreendedores pode influenciar muitos outros jovens sem o mesmo talento, mas que passam a acreditar que o caminho do sucesso não cruza necessariamente o campus de uma universidade.

O problema é que, no Brasil, os índices de evasão nas universidades são maiores que nos países avançados e mesmo emergentes.

Levantamento do Ministério da Educação, com base no censo de 2007, mas publicado em 2011, revelou que cerca de 45% dos matriculados em escolas de ensino superior privadas não concluem seus cursos no tempo regulamentar - observe-se que três de cada quatro universitários brasileiros estudam em instituições particulares.

Nas públicas, o percentual é menor, de 28%, mas mesmo assim bastante alto. Essas estatísticas, segundo os especialistas, não são precisas e não mensuram corretamente o índice de evasão, mas são uma evidencia de que boa parte da população universitária não chega a cantar o "We are the champions", o hit das festas de formatura.

Para os gênios, talvez o diploma superior possa não fazer diferença. Mas para um país que ocupa o vexaminoso 103º lugar no quesito qualidade do sistema educacional, no ranking de competitividade 2010/2011 do Forum Econômico Mundial, altas taxas de evasão em qualquer nível de ensino são um obstáculo a mais para vencermos o desafio do crescimento sustentável.

Têm razão, portanto, os pais para quem é uma tragédia pessoal a decisão do filho de largar a universidade. Para o país também é uma tragédia.

----------------------------------------------------------
Marcelo Mariaca é presidente do conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School


Comentários

rogerio martini, S.B.C | 16/01/12 13:05
Caro Marcelo,passei por esta triste situação,mas utilizei da" Técnica do só mais Um MÊS".Deu certo, por enquanto.Saudações.


Decio de Oliveira, Kreuzlingen, Suica | 16/01/12 16:15
Prezado Marcelo, diversas vezes tambem fiquei tentado a desistir da faculdade de Engenharia Civil. Como meu pai diversas vezes me disse, "nao va para a universidade com a expectativa de enriquecer, e sim com a expectativa de abrir os horizontes para um "universo" (palavra da qual "universidade" deriva) de pessoas e conhecimento. E conhecimento ninguem pode tirar de voce."
Abs


Valter Pereira Gonçalves, São Paulo | 16/01/12 22:10
Prezado Marcelo o motivo é complexo no caso do brasil, enquanto universitários disputam vaga de telemarketing para ganhar menos de r$ 1.000,00 ou como vendedores de cartões de crédito ou assinatura de revista. Enquanto isso, um pedreiro pode ganhar isso em uma semana de trabalho e não tem primeiro grau. Um caminhoneiro pode ganhar mais de r$ 7.000,00 por mês. E no centro da cidade temos muitos migrantes sem estudo fazendo sucesso como comerciante e construindo patrimônio de espantar. Abraços,


Envie o seu comentário

Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O Brasil Econômico reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

outros jornais da EJESA