Papéis da Telemar, empresa operacional do grupo, tiveram as maiores quedas da BM&F Bovespa ontem (28).
Que a Portugal Telecom voltaria a atenção sobre a Oi, após sair do capital Vivo, os investidores já esperavam.
Só não podiam prever que, em vez de realizar uma aquisição direta de participação na companhia, a empresa portuguesa optaria por uma complexa operação.
A frustração da expectativa não poderia render outro resultado: as ações ordinárias e preferenciais da Telemar, empresa operacional do grupo Oi, recuaram 15,99% e 11,20% no pregão de ontem da BM&FBovespa. Foram as maiores quedas do dia na bolsa.
Pela estrutura desenhada, a Portugal Telecom vai adquirir 10% da Telemar Participações (não cotada em bolsa), controladora do grupo Oi, e fatias de 35% de duas holdings acionistas da mesma empresa.
A Tele Norte Leste e a Telemar (cotadas em bolsa), por sua sua vez, passarão por aumentos de capital de R$ 12 bilhões cada uma - dos quais a Portugal Telecom se comprometeu a participar comprando, respectivamente, o equivalente a R$ 2 bilhões e R$ 1,7 bilhão.
Se tudo ocorrer de acordo com o planejado, a portuguesa terminará com uma fatia, direta e indireta, de cerca de 22% da Oi. E, embora minoritária, se tornaria uma das maiores acionistas da empresa.
"Mas da maneira como a operação foi estruturada, não se configurou a venda do controle da Oi e, portanto, não haverá tag along para os minoritários", lembra o analista do BB Investimentos, Leandro Nitta.
Significa dizer que os minoritários perdem o direito de vender suas ações da empresa pelo mesmo preço pago aos controladores.
Pesou sobre os papéis o tamanho do aumento de capital das duas empresas do grupo Oi.
"O valor de R$ 12 bilhões é muito grande e dificilmente os acionistas minoritários conseguirão acompanhá-lo", avalia a equipe de análise da corretora Planner.
Os acionistas majoritários possivelmente farão jus ao seu direito de preferência na subscrição de ações, mantendo a sua proporção de participação nas empresas.
Caso da própria Tele Norte Leste, que tem 82% da Telemar. Mas a diluição dos minoritários é dada como certa, já que eles precisariam desembolsar altas somas para manter as mesmas posições.
Preço definido
Além disso, o preço das ações no aumento de capital já foi definido, com base na cotação média dos últimos 60 dias.
No caso da Tele Norte Leste, os papéis ordinários (TNLP3) sairão a R$ 38,55 e os preferenciais (TNLP4), a R$ 28,26. Já na operação da Telemar, o preço das ações ordinárias (TMAR3) será de R$ 63,70 e o das preferenciais classe A (TMAR5), de R$ 50,70.
"Esses valores ficaram abaixo do fechamento dos papéis na terça-feira", lembra a equipe de análise da corretora Coinvalores.
É por isso que, mesmo a Oi sendo beneficiada pela operação, as ações do grupo prometem sofrer ainda nos próximos dias. "Os papéis devem seguir pressionados.
Os investidores estão deixando os benefícios operacionais de lado e prestando atenção na estrutura do negócio", destaca a equipe da Planner.
Nitta, do BB Investimentos, concorda, mas vê ganhos para a empresa no longo prazo. "Com a chegada da Portugal Telecom, a Oi vai conseguir reduzir parte do seu endividamento", destaca o analista.
"Além disso, a empresa tem potencial de crescimento, já que é a única operadora totalmente integrada no que diz respeito aos serviços de telefonia."
Vivo e Telesp sobem
As ações da Vivo e da Telesp (Telefônica) subiram ontem na BM&FBovespa, na esteira da negociação com a Portugal Telecom.
"Os papéis da Telesp tiveram alta na expectativa dos ganhos de sinergia com a Vivo", avalia Leonardo Nitta, do BB Investimentos.
Já o preço das ações da Vivo se ajustou à previsão de tag along de 80% - os minoritários terão direito de vender seus papéis a esse percentual sobre o valor pago à Portugal Telecom pela Telefónica.
Com a operação fechada por € 7,5 bilhões, Nitta calcula que o preço de ajuste das ordinárias da Vivo seja de R$ 114. Ontem elas fecharam a R$ 108.
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