As siderúrgicas nacionais têm de importar praticamente toda a sua demanda de carvão, tendo em vista a pouca produção nacional
Comunidade
Credit Suisse aponta cenário potencialmente favorável para commodities. No entanto, para o BofA Merrill Lynch, ambiente atual não é dos mais otimistas para os papéis do setor de siderurgia.
A Vale (VALE5) é mencionada pelo Credit Suisse como a principal ação para o setor, uma vez que o banco vê o papel ainda barato na bolsa, considerando seu potencial de crescimento.
Também vale lembrar a boa perspectiva para o cenário de curto e médio prazos no mercado de minério de ferro. O potencial de valorização para o papel da mineradora é de 33%, segundo a instituição.
O banco também tem procurado se expor ao setor de siderurgia com papéis da Gerdau (GGBR4) e da CSN (CSNA3). A CSN, com potencial de valorização de 39%, tem uma larga exposição em mineração, oferecendo segurança aos desafios do aço enquanto a Gerdau, cujo potencial de valorização chega a 29%, tira melhor proveito da recuperação econômica americana.
A Usiminas (USIM5), por sua vez, embora tenha melhorado, ainda não oferece condições suficientemente atrativas. A recomendação do Credit Suisse para o papel é neutra, com potencial de ganhos estimado em 28%.
Austrália
Para o Bank of America Merril Lynch, as chuvas em Queensland, na Austrália, que têm prejudicado a atividade local de mineração, são mais prejudiciais para os papéis da Usiminas que da Gerdau e da CSN. A instituição fez análise para o curto prazo.
O banco sinaliza que os alagamentos deverão forçar ainda mais os preços do carvão, que devem ultrapassar os US$ 400 a tonelada. As siderúrgicas nacionais têm de importar praticamente toda a sua demanda de carvão, tendo em vista a pouca produção nacional.
Com isso, a temporada de chuvas australiana deve gerar maiores custos para elas no curto prazo. Para a CSN e para a Usiminas, o carvão representa 17% e 16% do custo total do produto, respectivamente. Para a Gerdau, esse valor cai para 4%, o que a torna menos suscetível a perdas.
Com isso o BofA mantém a recomendação de compra apenas para os papéis da CSN, vendo potencial de valorização de 41%. Para Usiminas, a avaliação é neutra e o potencial de alta é de 33%. Para Gerdau, o banco espera um desempenho abaixo da média de mercado, sem potencial de valorização.
Vale
O Credit Suisse, em relatório assinado por Ivan Fadel e Bruno Savaris, afirma estar reavaliando seus pressupostos para o preço dos metais. Durante o período entre 2011 e 2013, o minério de ferro e o cobre devem permanecer em altos níveis, fomentados por uma forte demanda com baixa oferta.
Para o mercado de minério de ferro, no entanto, o Bank of America não espera grandes impactos e a Vale segue liderando a lista de preferências da instituição. Para a ação preferencial da mineradora, o potencial de valorização estimado pela companhia é de 49% e a recomendação é de compra.
Concorrência
Para o Credit Suisse, segundo relatório assinado pelo time Michael Shillaker, Liam Fitzpatrick, Melinda Moore, Subhra Kanti Das, Nihal Shah e James McGeoch, a tendência de valorização de preços também deve seguir pelo setor de cobre e carvão, além do minério de ferro. Também estão inclusos os PGMs (sigla em inglês para metais do grupo da platina) e da liga metálica de ferrocromo.
Segundo a análise do banco, as estimativas estão muito próximas dos níveis mais altos já registrados. Para o cobre, a expectativa é de uma valorização de 19%, enquanto para o minério de ferro o Credit Suisse espera um avanço de 28%.
Se a situação está altamente positiva para a Vale, da mesma forma está para suas concorrentes.
Esse cenário positivo trouxe de volta os papéis da Rio Tinto e da Xtrata para o centro das atenções do Credit Suisse, seguidas pela Eurasian Natural Resources Corporation. No caso da Rio Tinto, a expectativa de ganho por ação é de 29%, significativamente acima do valor consensual do mercado. "Recentemente, elevamos a Anglo American com base em uma perspectiva de longo prazo", informa o relatório.
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