Frigorífico dá os últimos passos na incorporação operacional da Bertin e da Pilgrim’s Pride e parte para uma reestruturação contábil dos negócios para reduzir a tributação.
No momento em que conclui o processo de incorporação operacional das duas mais recentes aquisições gigantes, o grupo JBS passa agora a desenhar uma reestruturação contábil e fiscal das empresas do conglomerado.
A parte operacional da integração da americana Pilgrim's Pride e da brasileira Bertin deve se encerrar até dezembro, levando a gestão a focar na parte fiscal a partir de 2011.
"Todas as ações de integração operacional foram tomadas, e agora vamos para o lado de melhorar a eficiência fiscal", afirma o presidente, Joesley Batista.
O objetivo dessa reestruturação é reduzir o pagamento de impostos sobre a renda, redistribuindo as receitas e as dívidas entre as subsidiárias, explica o diretor de relações com investidores do JBS, Jeremiah O'Callaghan.
As dívidas diminuem os resultados líquidos das empresas, reduzindo a base de cálculo do imposto. "Hoje temos ineficiência financeira e fiscal, mas estamos resolvendo até o primeiro trimestre de 2011", diz o empresário.
Parte deste "descasamento" entre geração de caixa e dívida pode ser explicada pelo fato de o crescimento do JBS ter sido fortemente calcado nas aquisições, com dívidas e fluxos de caixa entrando de forma não organizada no grupo. "Um terço da nossa geração de caixa vem da Pilgrim's, um terço da JBS USA e só um terço do Mercosul, mas é no Brasil que a dívida está concentrada", explica.
Operações
Do ponto de vista operacional, Batista calcula que 70% das ações de integração da Bertin e da Pilgrim's Pride já foram tomadas. O restante, ele espera que seja concluído ainda neste ano. Ainda estão em andamento a unificação das áreas comercial e de sistemas do Bertin. Já a operação na produtora de carne de frango Pilgrim's Pride está praticamente concluída. "Nos beneficiaremos integralmente de todos os resultados dessas sinergias a partir do segundo trimestre de 2011."
No terceiro trimestre deste ano, a companhia conseguiu melhorar as margens operacionais em praticamente todos os negócios, com exceção da produção de carne bovina nos Estados Unidos. Como resultado, o potencial de geração de caixa operacional (Ebitda) avançou 251,7% sobre o terceiro trimestre de 2009, para R$ 1 bilhão. Já o lucro líquido caiu 12%, para R$ 133,5 milhões.
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