André Perfeito, da Gradual Corretora: "BC tenta resgatar parte das expectativas que estavam dispersas após o último corte nos juros"
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A ata da última reunião do Copom reforça os argumentos e mantém o mesmo cenário apresentado na reunião anterior.
O documento, divulgado nesta quinta-feira (27/10) pelo Banco Central (BC), reforçou a preocupação com o cenário internacional, repetindo o argumento de que a atual crise nos países desenvolvidos deverá ser menos aguda, porém, mais persistente do que o ocorrido em 2008.
"Ele mostra preocupação em que o cenário internacional continua a se deteriorar", diz Mauro Schneider, economista chefe da Banif Corretora. "É uma retórica que foi mantida", diz.
No dia 19 de outubro, o Copom reduziu a taxa básica de juros (Selic) da economia em 0,5 ponto percentual, pela segunda vez consecutiva, para 11,5% ao ano.
"O plano de voo não se alterou", diz Schneider.
Embora tenha mencionado indicadores que mostram desaceleração da demanda interna, o documento não desenhou um cenário de desaceleração mais acentuada da economia.
Dentre os dados divulgados, o próprio IBC-Br, prévia do crescimento do PIB elaborada pelo BC, que mostrou uma contração de 0,53% na atividade econômica no mês de agosto.
"Eu esperava um registro um pouco diferente da ata anterior, já que surgiram dados mais fracos na economia", afirma Schneider.
Outro ponto reforçado na ata é a sinalização de novos ajustes na Selic.
"O Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, ajustes moderados no nível da taxa básica são consistentes com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012", diz o documento, repetindo a ata anterior.
Para André Perfeito, economista da Gradual Corretora, a repetição da expressão "ajustes moderados", que já constava da ata anterior, sinaliza para um novo corte de 0,5 ponto percentual nos juros na próxima decisão do BC.
"Ele tenta resgatar parte das expectativas que estavam dispersas após o último corte nos juros", afirma Perfeito.
Em agosto, o BC surpreendeu o mercado ao cortar os juros em 0,5 ponto percentual, mostrando preocupação com a deterioração da economia nos países desenvolvidos.
Na ocasião, a autoridade monetária afirmou estimar que o impacto da crise seja um quarto do observado em 2008.
A próxima reunião do Copom ocorre nos dias 29 e 30 de novembro, quando poderá decidir por um novo corte na taxa de juros.
"O Banco Central parece indicar cortes de juros graduais e em linha com o que espera o mercado", diz Schneider. "Se estivesse desconfortável com as expectativas, a ata emitiria um sinal nesse sentido", ressalta.
Seguindo o ritual dos principais bancos centrais do mundo, a ata que explica a decisão de política monetária apresenta os principais indicadores divulgados na economia e mostra o embasamento da decisão, muitas vezes repetindo trechos inteiros da ata anterior, sobretudo quando a autoridade monetária considera que o ambiente macroeconômico não se alterou.
"Ficamos tentando pescar alguma mensagem que possa estar diferente do documento anterior", diz Perfeito. "E nessa ata, muito pouca coisa está diferente, o Copom confirma o cenário da última reunião", explica.
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