Bolsa brasileira está ciente da possibilidade de concorrência desde 2007, diz Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa;
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No entanto, segundo o diretor presidente Edemir Pinto, empresa "estuda todas as oportunidades para agregar valor".
Em meio à onda de consolidação de bolsas de valores, reforçada nesta sexta-feira (18/2) com a compra da Chi-X Europe pela Bats, as mais aventadas possibilidades de participação da BM&FBovespa no movimento já foram afastadas pelo seu diretor presidente, Edemir Pinto.
"Não está na mesa, neste momento, nenhum projeto de fusão com a CME (Chicago Mercantile Exchange)", destacou o executivo, ao comentar o balanço da companhia em 2010.
A bolsa brasileira é parceira da americana especializada em derivativos desde 2008 e atualmente cada uma detém 5% do capital da outra. Ele também afirmou que não há interesse da bolsa em adquirir outras em países da América Latina, nem em avançar sobre a concorrente local Cetip, balcão organizado de ativos e derivativos.
"Nosso objetivo primeiro não é uma aquisição, mas sim identificar oportunidades de crescimento", disse Pinto. O comentário foi incisivo, mas nem tanto. O executivo relativizou a situação, lembrando que, como companhia aberta, a BM&FBovespa está atenta a "todas as oportunidades para agregar valor aos acionistas".
Os questionamentos quanto à concorrência com a chegada de uma nova bolsa ao país dominaram a reunião pública com investidores e analistas realizada nesta sexta-feira. Na última semana, a Bats anunciou que estuda a possibilidade em parceria com a gestora Claritas. Mas Pinto não pareceu se preocupar.
Segundo ele, a BM&FBovespa - que terminou 2010 com lucro líquido ajustado (considerando amortização de ágio) de R$ 1,6 bilhão - conta com essa possibilidade desde 2007 (quando a última instrução da Comissão de Valores Mobiliários sobre o tema foi editada) e, por isso, está preparada para enfrentar novos participantes.
Potencial
"Se alguém quer vir para o Brasil disputar com a bolsa é porque acredita no potencial de crescimento do mercado do país", disse. "Só espero que estejam fazendo as contas."
Ele lembrou que o modelo vertical e integrado da BM&FBovespa, contando com serviços de liquidação e depositária além da negociação, é um diferencial que custa caro.
E surpreendeu o executivo o fato de a Bats afirmar que pretende instalar todos os mesmos serviços por aqui. "A Bats é só uma plataforma de negócios, não é integrada, não tem listagem de papéis."
Embora o executivo procure reduzir a importância do assunto, há analistas que consideram a concorrência um fator de atenção.
"Continuamos acreditando que o fluxo de notícias negativas sobre BM&FBovespa continuará pressionando os papéis, principalmente a respeito da nova concorrência", afirmam Daniel Malheiros e Kelly Trentin, da Spinelli, em relatório sobre o resultado. Além da corretora, também os analistas do Barclays Capital e da Link recomendam "manter" as ações da bolsa.
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