Soller, da Braskem: nova oportunidade de mercado com exploração em águas profundas
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A companhia prevê receita anual de US$ 30 milhões com o produto no Brasil em 2013; a longo prazo, a expectativa é atender outros países com exploração em águas profundas.
As oportunidades geradas com a exploração do petróleo no pré-sal animaram a Braskem a desenvolver novos produtos.
A companhia lança neste mês duas resinas de polipropileno, resina derivada de petróleo, para atender o crescente mercado de revestimentos plásticos para tubulações de aço utilizados na exploração de petróleo e gás em águas marítimas profundas.
Até então, o mercado brasileiro era atendido por importações. Walmir Soller, diretor de negócios de polipropileno da companhia, relata que a atividade é promissora.
"Nossa perspectiva imediata é realizar vendas de 6 mil toneladas em 2010 e dobrar o volume até 2013, quando chegaremos a um 12 mil toneladas e um faturamento de US$ 30 milhões (R$ 53,1 milhões) por ano", afirma o executivo.
Mas estes são apenas os negócios planejados para o Brasil. No longo prazo, a previsão é oferecer o produto em todos os mercados mundiais de exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas.
As novas resinas plásticas desenvolvidas pela Braskem possuem duas funções. Anticorrosiva e de proteção térmica. Nos dutos utilizados no transporte de petróleo a tarefa da resina é de isolante térmico.
Quando extraído, o petróleo alcança uma temperatura de até 130°C. Ocorre que em ambientes como o do pré-sal brasileiro, as águas apresentam temperatura negativa. O choque térmico pode ser fatal para a condução do petróleo. Se a temperatura do líquido cair para menos de 60°C ele forma placas e deixa de fluir pela tubulação, comprometendo o trabalho.
Para evitar esta situação, os tubos de aço são revestidos exteriormente com uma camada de resina de polipropileno com aproximadamente 100 mm. Quando a resina cumpre a função anticorrosiva, mais comum em aplicações em gasodutos, a camada de polipropileno é de 4 ou 5mm.
A Braskem já atuava no mercado de resinas para revestimentos de tubos de aço, mas apenas para aplicações de polietilenos em tubulações terrestres. As novas resinas marítimas, que serão produzidas em Triunfo (RS), consumiram um ano entre o desenvolvimento e a aprovação de seu uso pela Petrobras.
Duas das maiores empresas globais especializadas em revestimentos de tubos de aço já firmaram acordos para utilizar no Brasil as resinas Braskem, a Bredero Shaw e a Socotherm.
Sebastian Araujo, gerente de projetos da Bredero Shaw, relata que já realizou a primeira encomenda.
A empresa utilizará 2,6 mil toneladas de polietileno para revestir 80 km de tubos de aço de 12 polegadas da Vallourec & Mannesmann que serão utilizadas na plataforma P-55 da Petrobras em Roncador, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro,prevista para entrar em operação até o início de 2012.
Segundo Araujo, os preços das resinas da Braskem são ligeiramente superiores aos internacionais, mas a compra no Brasil resulta em um significativo ganho logístico. Até a entrada da Braskem no mercado, a Bredero Shaw importava as resinas de fornecedores na Finlândia e Áustria.
Entre a encomenda e a disponibilidade da resina na fábrica, o tempo consumido era de cerca de dois meses e meio, sendo 30 dias para a produção, outros 25 a 30 dias para o transporte em navio e outros 10 a 20 dias na liberação alfandegária. "Com a produção local, o fornecimento é mais rápido o que nos proporciona maior competitividade", diz o executivo.
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