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Braskem visa ganhar mercado com aditivo ecológico

Domingos Zaparolli   (dzaparolli@brasileconomico.com.br)
26/04/10 16:35


O ETBE, o bioaditivo da Braskem que usa etanol em sua formulação, é totalmente destinado aos mercados da Europa e do Japão

O ETBE, o bioaditivo da Braskem que usa etanol em sua formulação, é totalmente destinado aos mercados da Europa e do Japão

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Equipamento adquirido da Dedini, por R$ 24,5 milhões, permitirá economia anual maior que R$ 7 milhões. A ferramenta faz a desidratação de álcool hidratado e o transforma em anidro (sem água).

Bioaditivo para gasolina não é um negócio tradicionalmente associado à Braskem. Mas a empresa tem uma produção de 330 mil toneladas anuais, totalmente voltada para exportações, principalmente para o mercado europeu, destino de 90% da produção, e para o asiático.

O aditivo é o ETBE (Ethyl Tertiary-Butyl Ether), produzido nas unidades da empresa em Triunfo (RS) e Camaçari (BA) utilizando isobuteno, um derivado da nafta, e etanol.

A novidade é que a Braskem investe R$ 24,5 milhões em um equipamento que entra em operação em setembro e vai gerar um grande ganho de competitividade no processo produtivo.

"Estimamos um ganho anual de US$ 4 milhões [cerca de R$ 7 milhões], com redução de custos e vantagens logísticas", diz o diretor de empreendimentos, Guilherme Guaragna.

O equipamento adquirido da Dedini faz a desidratação de álcool hidratado, que contém uma porcentagem de 6% a 7% de água, e o transforma em anidro (sem água). A vantagem é que o álcool hidratado é, em média, 16% mais barato.

Guaragna avalia que a empresa poderá aumentar ainda mais essa margem, comprando em grandes escalas. Para a produção do bioaditivo, a Braskem consome 150 milhões de litros de álcool por ano. Mas a partir de outubro, quando entrar em operação a sua fábrica de eteno verde (plástico produzido a partir do etanol), a empresa acrescentará em suas compras outros 450 milhões de litros anuais.

O ETBE tem função energética e ainda oxigena e proporciona uma melhor queima da gasolina. No Brasil, o álcool misturado ao combustível faz este papel. "O ETBE é um produto mais adequado que o álcool para os climas frios do hemisfério norte", diz Guaragna. O bioaditivo foi desenvolvido pela Copesul e chegou ao mercado em setembro de 2007, alguns meses antes de a Braskem comprar a companhia. O produto é uma alternativa ao MTBE, sigla em inglês de Éter Metil Terbutilico, aditivo que utiliza em sua formulação o metanol, um componente químico cujo uso está sendo proibido em vários países devido a características tóxicas, prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente.

Grande potencial

A Braskem não informa o faturamento que obtém com o ETBE, mas está aumentando suas apostas neste mercado. No ano passado, investiu R$ 100 milhões em duas novas fábricas em Camaçari, que somam uma capacidade de produção anual de 212 mil toneladas do aditivo. Para Guaragna, o potencial do ETBE é muito grande no mercado internacional.

Além de sua queima ser menos agressiva ao meio ambiente, o fato do produto ser feito com matéria-prima renovável, a cana-de-açúcar, permite a captura de CO2 . Pelos cálculos da Braskem, para cada tonelada de ETBE produzida, são evitadas emissões de 783 quilos de monóxido de carbono.

Com as restrições sofridas pelo MTBE, os principais concorrentes internacionais do aditivo da Braskem são os produtos feitos a partir do milho, comuns principalmente nos EUA. "A produtividade do etanol de cana-de-açúcar é muito maior, o que nos garante uma grande vantagem competitiva", diz o executivo.


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