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Brasil

Capacitação técnica ainda é gargalo para saneamento

Bárbara Ladeia   (bladeia@brasileconomico.com.br)
09/12/10 07:57


Operação é fruto da primeira Parceria Público Privada da Sabesp, com a Galvão Engenharia e a CAB Ambiental

Operação é fruto da primeira Parceria Público Privada da Sabesp, com a Galvão Engenharia e a CAB Ambiental

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O governo do Estado de São Paulo inaugura nesta semana a primeira fase das obras de ampliação da capacidade da Estação de Tratamento de Água (ETA) Taiaçupeba.

A operação é fruto da primeira Parceria Público Privada (PPP) da Sabesp, com a Galvão Engenharia e a Companhia de Águas do Brasil (CAB Ambiental).

Apesar das PPPs abrirem uma nova perspectiva para as empresas do setor, os gargalos ainda são técnicos e burocráticos. "Nosso grande desafio é conseguir fazer mais rápido", afirma Yves Besse, presidente da CAB Ambiental.

As parcerias têm sido apontadas como principais mecanismos de troca de tecnologias para a CAB Ambiental, que tem mantido estreito contato com instituições francesas em busca de métodos para acelerar a criação de estruturas de saneamento básico no país.

"Criamos uma área de pesquisa e desenvolvimento dentro da empresa para fomentar as iniciativas dentro país", afirma.

"Nós temos um setor de saneamento básico extremamente atrasado no Brasil", avalia Besse. Para ele, o grande limitador é a normatização para as licitações que ainda privilegia o preço.

"Enquanto houver uma lei 8.666, que favorece o preço em detrimento da tecnologia e das questões ambientais, vai ser muito difícil investir nesse setor no país", explica se referindo à legislação que rege as licitações no país.

No entanto, Besse vê uma reorganização nessa estrutura a partir de uma maior abertura e entrada das empresas privadas no setor. "Durante muito tempo esse setor ficou sob responsabilidade de empresas públicas", afirma. "A aproximação com empresas privadas colabora na inovação."

Operação

Segundo Besse, a ETA Taiaçupeba representa 60% do volume de negócios que a CAB Ambiental opera atualmente. Dos R$ 300 milhões previstos inicialmente, ainda serão investidos outros R$ 20 milhões na fase final do projeto, que deverá ser entregue até fevereiro de 2011.

O contrato da companhia prevê 15 anos de direitos de operação sobre o projeto, dos quais já se passaram dois.

"Ainda temos treze anos pela frente com esse projeto e estamos em busca de novas parcerias", sinaliza Besse.

Há três anos em operação, a CAB Ambiental já conquistou treze projetos no país. Em sua maioria no Estado de São Paulo.

Localizada no município de Ferraz de Vasconcelos, na Região Metropolitana de São Paulo, a ETA Taiaçupeba está inserida no sistema produtor Alto Tietê, atualmente responsável por 15% da água tratada que é distribuída na região metropolitana de São Paulo.

Com a ampliação, concluída em fevereiro do ano que vem, a unidade passará de uma capacidade fornecimento de 10 mil litros para 15 mil litros por segundo.

Transição

Besse garante que a ETA Taiaçupeba é um "exemplo positivo que levará a novas parcerias", embora afirme que não há nenhuma outra em vista no momento.

"Estamos em uma fase de transição, com mudança no governo estadual, não sabemos exatamente qual vai ser o cenário a partir do ano que vem", sinaliza Besse. Embora prefira não opinar sobre a permanência o não de Gesner Oliveira na presidência da Sabesp, Besse considera as possibilidades remotas.

"Foi apenas um presidente na história da Sabesp que permaneceu por mais de um mandato". Segundo o executivo, o mercado ainda não aventou novos nomes para o cargo.

No entanto, Besse destaca que a mudança na presidência da empresa pouco deve influenciar na forma como esta vem sendo gerida.

"A Sabesp é uma companhia consolidada. Os planos ali não são traçados para cada quatro anos. Naturalmente, a linha de gestão deverá ser a mesma, independente de quem assuma a presidência", avalia.


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