As reações dos analistas aos resultados da Cielo foram positivas, especialmente diante do forte controle de custos apresentado pela empresa no primeiro trimestre deste ano.
Seguindo o otimismo, os investidores também gostaram dos resultados e foram às compras das ações CIEL3. O papel sobe 4,97%, para R$ 54,53, e lidera os ganhos do Ibovespa nesta quinta-feira (26/4).
Após o último pregão, a Cielo anunciou um lucro de R$ 566,6 milhões referente ao primeiro trimestre deste ano, 11% acima do consenso, de R$ 511 milhões.
De acordo com a equipe do JPMorgan, liderada por Saul Martinez, o lucro e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado acima do esperado foram resultado de uma receita superior às projeções e despesas operacionais muito abaixo do previsto.
Todos os analistas consultados - UBS, Deutsche Bank, Bradesco, BTG Pactual, Banco do Brasil Investimentos, JPMorgan e Credit Suisse - notaram o desempenho dos custos como um dos principais pontos do resultado.
Resumindo a opinião geral, Domingos Falavina, do UBS, afirmou que os números mostraram "uma surpresa positiva em termos de controle de custo". Entretanto, há a expectativa de que essa surpresa não se repita nos próximos períodos.
"Para os próximos trimestres, esperamos um aumento nas despesas operacionais, pois o guidance da empresa para 2012 prevê um gasto de 4% da receita líquida em marketing e vendas e no primeiro trimestre o desembolso foi de apenas 1,7% da receita líquida", apontaram Nataniel Cezikbra e Carlos Daltozo, do BB, em relatório.
No caso de alguns analistas, o otimismo em relação aos números da Cielo ofuscou inclusive as preocupações acerca do aumento da competitividade, com a entrada agressiva do Itaú no segmento.
Embora veja esse risco e mantenha sua recomendação neutra em relação à ação CIEL3, Saul Martinez afirma que "os resultados da Cielo destacam que o ambiente presente é favorável e que o fim da exclusividade pode ainda não ter atingido os objetivos dos reguladores de reduzir significativamente o custo de aceitação do cartão para uma ampla faixa de comerciantes".
Elevação de recomendação
Quatro dos sete analistas consultados têm recomendação neutra (equivalente a manutenção) para as ações da Cielo: Deutsche Bank, Bradesco, JPMorgan e UBS. Na outra ponta, o BTG Pactual recomenda a compra do papel. O BB tem a recomendação em revisão.
Dentro desse panorama, o destaque fica com o Credit Suisse, que elevou a recomendação de neutra para outperform (equivalente a compra), após a divulgação dos números trimestrais. O preço-alvo passou de R$ 55 para R$ 63, com potencial de valorização de 16% sobre o preço atual.
Segundo os analistas Victor Schabbel, Marcelo Telles, Daniel Sasson, os bons resultados devem sustentar uma revisão para cima dos ganhos.
A expectativa do banco é de que o preço permaneça estável em 2012, caindo gradualmente nos anos seguintes; os volumes devem continuar fortes e a Cielo irá recuperar a participação de mercado perdida para a Redecard; e a competição deve demorar mais para se materializar.
Além disso, o balanço de riscos se tornou favorável novamente para a empresa.
"Com a preocupação dos bancos em relação à pressão nos spreads e maior inadimplência, ações agressivas na área de meios de pagamento são menos prováveis", aponta o Credit Suisse.
"Ainda há riscos, mas agora vale a pena tomá-los", conclui o banco.








