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Thaís Costa

Círculo virtuoso com banda larga

11/08/11 07:46 | Thaís Costa - Editora executiva do Brasil Econômico



Estamos na iminência de vivenciar um salto no processo de desenvolvimento econômico e social do país.

A oferta de banda larga que deve resultar do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 116, de autoria de Paulo Bornhausen e prestes a ser aprovado no Senado, vai ocorrer num momento muito especial em que o crescimento da nova classe média registra índices vertiginosos e o governo se vê na obrigação de repensar as políticas públicas para permitir a continuidade da trajetória ascendente dos milhões de brasileiros que estão saindo da linha de pobreza, conforme afirmou em recente pronunciamento à BBC o subsecretário da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência, Ricardo Paes de Barros.

O peso dessa camada dentro do DNA social brasileiro não pode ser subestimado. Segundo dados do IBGE, os gastos das famílias da nova classe média já superam os das camadas mais altas (A e B) no que se refere a alimentação, habitação, educação, vestuário, saúde, higiene e cuidados pessoais.

Ainda que a faixa de renda da classe C não esteja definida com total precisão e sobre seus limites ainda reinem discordâncias, estamos falando de um contingente de pelo menos 100 milhões de pessoas cuja remuneração familiar oscila entre R$ 1 mil a R$ 5 mil. Pelos estudos da Fundação Getúlio Vargas, a classe média concentra 46,2% do poder de compra dos brasileiros, enquanto o das classes A e B totaliza 44,1%.

Como as provedoras de telecomunicações consideram essencial oferecer um pacote completo de serviços a seus clientes, com telefone fixo e celular, tevê por assinatura e acesso à internet, a possibilidade de incluir a tecnologia por cabo em seu portfólio deve ensejar uma onda importante de investimentos nos próximos anos.

A indústria de redes e equipamentos estima que a aprovação do PLC 116 nos próximos dias repercuta nos desembolsos das teles no ano que vem.

Assim, se este ano já promete ser um dos melhores da década, com mais de R$ 20 bilhões gastos em infraestrutura, o acesso das operadoras de telecomunicações à distribuição de tevê a cabo vai forçar 2012 a repetir o bom desempenho deste ano, prevê o presidente do conselho da Nokia Siemens para a América Latina, Aluizio Byrro.

Com o aumento da massa consumidora de serviços de telecomunicações somado à oferta de serviços mais completos e ao ingresso de novos operadores nessa oferta convergente, os preços atuais da banda larga, TV a por assinatura e telefonia tendem a cair, ampliando cada vez mais o acesso e o tráfego.

Está criado um círculo virtuoso em que se consome mais banda e mais conteúdo por menos reais. A nova classe média será estimulada a continuar a curva para cima, puxando atrás de si as faixas D e E, hoje detentoras de níveis insignificantes de acesso à internet.

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Thaís Costa é editora executiva do Brasil Econômico


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