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Commodities

Com tensões no Irã, petróleo tem alta e ameaça economia

Felipe Peroni   (fperoni@brasileconomico.com.br)
22/02/12 17:09


Na semana, o petróleo têm alta de 2,08% em Londres

Na semana, o petróleo têm alta de 2,08% em Londres

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A alta recente nos preços do petróleo eleva a perspectiva sobre avanço das cotações neste ano, e retorno da ameaça à economia mundial.

Nesta quarta-feira (22/2), os futuros do petróleo em Londres do tipo Brent - referência para as importações da União Europeia - tem alta de 0,73% nos contratos com vencimento em abril, atingindo US$ 122,56 o barril. 

Na semana, esses contratos têm alta de 2,08%.

O avanço dos preços é reflexo das tensões com o Irã. O país recebe há dois dias uma visita especial de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas, com o objetivo de assegurar que o programa nuclear do país não tenha fins militares.

Contudo, o governo iraniano vetou a entrada dos inspetores em uma de suas instalações, o que levanta expectativas de que o conflito poderá sofrer uma escalada, dependendo de qual será a reação dos Estados Unidos.

"Uma variável que surge como determinante para a economia mundial neste momento é o preço do petróleo", avalia Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). "Está alto, mas dependendo dos próximos passos a situação pode explodir", diz.

Em janeiro, os países da União Europeia decidiram bloquear as importações de petróleo do Irã a partir do dia 1º de julho, bem como embargar parte dos ativos do banco central iraniano, devido a suspeitas de que o país estaria levando seu programa nuclear com fins militares.

Os Estados Unidos elevaram as restrições, chegando a bloquear as reservas do país, e cresceram as pressões de Israel por um ataque ao Irã.

Na segunda-feira passada (13/2), o crescimento das tensões e receios de que o país suspenderia imediatamente suas exportações à Europa elevaram o preço do produto, e na quinta-feira (16/2), a commodity teve alta de 1,16% em Londres, a US$ 120,11 o barril.

"Isso reforça que o preço em 2012 vai permanecer elevado", destaca Pires, que prevê uma média acima de US$ 100 por barril neste ano.

"Temos que aguardar, mas a princípio é uma situação onde o petróleo pode chegar a US$ 150. Não seria uma surpresa dada a importância que o Irã tem no mercado".

Segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o país detém reservas comprovadas de 151,17 bilhões de barris de óleo. Trata-se da terceira maior reserva dentre os países da organização, que responde por mais de 80% das reservas mundiais.

O problema atual é mais grave do que na guerra da Líbia, quando o conflito levou os preços acima de US$ 110 em Londres. "Essa alta vem de um patamar já elevado", destaca. "Na guerra da Líbia, o preço subiu, mas o país têm um papel muito inferior ao Irã".

Ele destaca que a situação de guerra civil que o país enfrenta contribui para a alta de preços, ao intensificar a escassez de oferta. "A Líbia ainda não retornou ao mercado internacional", observa.

Mesmo com a alta nos preços do petróleo no início do ano, alguns analistas apontaram que a lenta recuperação dos países avançados provocaria queda nas cotações.

Na visão de Pires, o cenário do consumo mundial de petróleo passa por uma mudança. Com o aumento da fatia dos países emergentes no consumo mundial de petróleo, os preços tendem a permanecer elevados.

"Hoje a dinâmica de consumo do petróleo é pautada pelos mercados emergentes", afirma. "E esses países têm uma característica de subsidiar os preços, como ocorre no Brasil, China, Índia e África do Sul, e isso causa pressão de alta nas cotações internacionais", explica.


Comentários

Carlos S M Carvalho, SL/MA/BR | 22/02/12 17:33
Lula ensinou ao mundo como agir para tirar um país do atoleiro.
Ou seja, aumentou o poder de compra da população, que passou a comprar mais do comercio, que encomendou mais das industrias, que contratou mais funcionários para produzir mais, e isso virou uma bola de neve. Deixamos de ser devedores para sermos credores do FMI. Estamos aguentando todas as porradas das crises de 2008/9 e 2011/12.
Mas o mundo não aprende, não querem seguir a lição; talves porque nos chamam de terceiro mundo?


Douglas Bastos, Londrina | 23/02/12 08:36
Sr. Carlos, o Brasil é um país privilegiado. Não podemos fazer este tipo de comparação. A história que a Europa passa agora, o Brasil só vai passar daqui pelo menos um século... Tem muita história, muita política, muita economia por traz.

O Brasil é quem tem que aprender, deixando de ser um país sempre neutro no cenário mundial, e passando a ajudar realmente os países em crise.


P/ Carlos, Rio de Janeiro | 23/02/12 15:11
Ah ok, então o "segredo"é aumentar salários...ouviu USA, Europa(especialmente Grécia) ?? A solução para sair da crise é aumentar o salário do povo, "tacar" bolsa no povo, depois é só esperar a fartura....ou seria a fatura....rsrs??? É simples assim....rsrs.Como os PTistas "dominam" teoria econômica...

Lei de Responsabilidade Fiscal...detalhe...lei para o fim do monopólio do petróleo...outro "detalhezinho"....o que salvou o país mesmo foi a bolsa família....rsrs


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