Comunidade
O menor custo de financiamento em euros na comparação com dólares em quatro meses levou a Braskem a planejar uma oferta de títulos na Europa que, segundo o Banco Santander, pode sinalizar uma retomada das emissões brasileiras.
A maior petroquímica da América Latina pretende fazer uma captação em em euros pela primeira vez, porque há "mais apetite" por dívida de mercados emergentes na Europa do que nos Estados Unidos, disse a diretora financeira, Marcela Drehmer, em entrevista coletiva em 10 de agosto.
O Deutsche Bank e o Santander, que estão entre os seis maiores coordenadores de emissões de dívida brasileira no exterior este ano, estão incentivando empresas a captar em euros porque os investidores estão buscando aplicações alternativas, após a dívida europeia ter sofrido a perdas em abril e junho.
"Alguns investidores realmente começaram a tentar diversificar suas carteiras para outras regiões" após a crise da dívida europeia ter se aprofundado em abril, disse Ricardo Leoni, chefe de mercado de capitais para dívida brasileira do Santander em São Paulo.
"No passado, era mais caro emitir em euros e converter para dólares do que é hoje", afirma Leoni.
O prêmio exigido pelos investidores para empresas brasileiras captarem em euros em vez de dólares com dívida de cinco anos encolheu na semana passada para até 25 pontos-base, ou 0,25 ponto percentual, o menor desde 28 de abril, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
O maior prêmio do ano, 39 pontos-base, foi atingido em 6 de maio.
Mais e mais
A Votorantim Participações, com sede em São Paulo, foi a última empresa brasileira a acessar o mercado europeu.
Em abril, o grupo industrial vendeu € 750 milhões (US$ 956 milhões) em títulos com vencimento em 2017, com rendimento 276 pontos- base acima dos papéis de referência.
Em março, a Vale, maior produtora mundial de minério de ferro, vendeu € 750 milhões em títulos de oito anos a uma taxa de 4,44%.
O rendimento dos títulos da Votorantim denominados em euros com vencimento em 2017 caiu 21 pontos-base este mês para 4,99%, comparado a uma queda de 49 pontos-base para 5,81% nos títulos em dólar da empresa com vencimento em 2019, segundo dados da Bloomberg.
O rendimento da dívida da Vale em euros que vence em 2018 diminuiu 25 pontos-base para 3,59%, enquanto o rendimento nas notas em dólar da mineradora para 2019 também recuou 25 pontos-base, para 4,22%.
As ofertas da Vale e da Votorantim fizeram deste ano o mais agitado para empresas brasileiras na Europa desde 2000, segundo dados da Bloomberg.
Governos e empresas da América Latina venderam US$ 5,3 bilhões em dívida em euros este ano, a maior quantia desde 2001.
"A tendência de diversificação dos investidores para a América Latina é real e bastante óbvia para nós, diante do interesse que temos visto", disse André Silva, co-diretor de mercado de capitais para dívida latino-americana do Deutsche Bank em Nova York.
"O mercado de euros vai ser acessado mais e mais."
Comentários
Últimas Notícias
- 07:53
Fitch corta nota do Japão, com perspectiva negativa - 07:48
Inflação ao consumidor britânico recua em abril - 07:40
Desta vez, a bondade só vai até dia 31 de agosto - 07:35
Valores são aprendidos na escola da vida - 07:28
Brasil: 9ª economia mundial? - 07:20
Morte ao mau governo - 07:10
Confira as notícias que são destaque no Brasil Econômico









