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Os dados econômicos a serem publicados a partir desta segunda-feira em todo o mundo não podem e não devem ser ignorados, mas dificilmente afetarão o mercado de forma significativa.
Ainda assim, alguns números vão auxiliar no refinamento das expectativas com o ritmo de crescimento econômico americano, ainda muito debatido entre os economistas.
O certo, lembra o analista de renda variável do Paraná Banco Asset Management, Leonardo Deeke Boguszewski, é que os Estados Unidos irão crescer.
"A base de 2009 é muito frágil e melhorar sobre um ano tão fraco fica mais fácil", lembra. "A magnitude da recuperação que ainda é difícil mensurar", explica.
Para ajudar as projeções, inicia esta semana a temporada de resultados das empresas americanas. Os dados, referentes ao último trimestre do ano passado, vão mostrar sinais da recuperação nas vendas. A primeira é a fabricante de alumínio Alcoa hoje.
Depois, na quinta-feira, é a vez da Intel e, por último, serão divulgados os números do JPMorgan na sexta. A atenção também estará voltada para as expectativas das empresas ao de 2010 (guidances), usualmente publicadas na mesma ocasião.
"A temporada de balanços sempre mexe mais com os mercados do que os indicadores", aposta o analista do BB Investimentos, Hamilton Moreira Alves.
Livro Bege
A preocupação da semana é o livro Bege do Federal Reserve. A publicação traz um compilado de informações sobre a situação econômica em todos 12 distritos do Banco Central dos Estados Unidos.
"O livro Bege traz uma visão oficial do Fed sobre as condições da economia por lá", avalia o economista-chefe do banco Schahin, Silvio Campos Neto. Para Boguszewski, esse é o principal indicador da semana.
"É o indicador que olha mais longe. Quem se prender aos indicadores de curto prazo pode deixar passar os dados macroeconômicos que apontem tendências de longo prazo", indica.
Abaixo do Equador
No Brasil, o destaque da agenda fica por conta dos números da inflação. O mercado busca nos dados pontos relevantes às apostas que tentam identificar o momento no qual o Banco Central do Brasil elevará a taxa básica de juros para conter as pressões inflacionárias futuras.
Por isso, a grande atenção a ser conferida ao IPCA(Índice de Preços ao Consumidor - Amplo), que é o indicador considerado oficial pelo BC e o governo.
Campos Neto chama atenção também aos índices que trazem prévias do primeiro mês do ano. "Eles podem trazer uma tendência esperada de inflação para janeiro", diz.
Em busca dos recordes
Depois da crise, o mercado também já começa a apostar na quebra de um novo recorde ao índice Bovespa, que já se aproxima dos 73.516 conquistados em 2008.
"Se o índice passar de 71 mil pontos, a próxima resistência forte é de 74 mil pontos", diz Moreira Alves do BB. Ele explica que o caminho para a bolsa parece tranquilo até abril.
Depois, diz ele, o debate eleitoral e do aumento de juros no Brasil e nos EUA vai se intensificar.

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