Pela movimentação que as concessões dos aeroportos de Cumbica, Viracopos e Brasília vem causando no mercado, tudo leva a crer que este é o grande negócio da temporada.
As principais construtoras do país, bancos de investimentos, concessionárias de rodovias e algumas das mais importantes operadoras de aeroportos do mundo se mobilizaram nos últimos meses para preparar as propostas depositadas ontem na BM&FBovespa.
Só tem um detalhe: por melhor que pareça e por mais interessados que atraia, esse negócio envolve riscos e só se mostrará vantajoso sob duas condições: "Para entrar numa disputa como essa, é preciso acreditar que o Brasil continuará crescendo nos próximos anos e que economia permanecerá estável nas próximas décadas".
O raciocínio é do ex-ministro da Infraestrutura João Santana, presidente da empreiteira Constran.
A empresa pertence à holding UTC Participações, que entrará na disputa pelo consórcio Aeroportos Brasil, que também reúne a TPI e a operadora francesa Egis. A julgar pela quantidade de interessados que entregaram os envelopes na BM&FBovespa até as 17h de ontem, 11 no total, há muita gente acreditando que essas duas condições se cumprirão nos próximos dias.
Alguns desses candidatos poderão sair do páreo ainda hoje, caso não cumpram as exigências do edital.
Mesmo que isso ocorra e que alguns dos interessados não sejam classificados para o leilão que acontecerá na próxima segunda-feira, é provável que a disputa seja muito acirrada.
Alguns analistas financeiros ouvidos pelo Brasil Econômico acreditam que o valor mínimo da outorga estabelecido pelo edital é baixo em relação às possibilidades de receita e ao prazo de concessão de cada um dos aeroportos.
Para Cumbica, o valor é de R$ 3,42 bilhões por 20 anos. Para Viracopos, de R$ 1,47 bilhão em 30 anos. Brasília, por sua vez, tem uma outorga mínima de R$ 582 milhões por 25 anos.
O valor oferecido pela empresa vencedora será pago em suaves prestações mensais ao longo do período de concessão. Números como esses (considerados baixos por analistas), somados ao potencial de cada um dos três aeroportos (vistos como essenciais para o sistema aéreo brasileiro), levam a crer que não faltarão interessados em ir além dos valores mínimos.
Seja como for, o fato é que a simples iniciativa do governo de mexer numa empresa emblemática como é a Infraero indica que a situação dos aeroportos melhorará. Faz parte dos termos da concessão, para citar apenas um exemplo, a execução acelerada de obras que deverão ficar prontas antes da Copa do Mundo, em 2014.
Com isso, aquele que muita gente teme ser um grande vexame nacional - o colapso do sistema aeroportuário durante um evento de visibilidade mundial - tem menos risco de acontecer. Caso o leilão dê certo, o governo pode acelerar os processos de licitação de outros aeroportos que ficaram de fora dessa primeira fornada.
Aeroportos como o do Galeão, no Rio de Janeiro, e o de Confins, em Belo Horizonte, logo deverão entrar na lista. Outras capitais, como Porto Alegre, Salvador e Recife, têm todas as condições de atrair interessados para as privatizações.
Uma vez definido o modelo, nada impede que os próximos passos sejam dados ainda este ano. Aí, sim, o Brasil poderá começar a sonhar com aeroportos decentes.
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Ricardo Galuppo é Publisher do Brasil Econômico
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O importante - do ponto de vista dos usuários – em qualquer serviço prestado via concessão ou diretamente pelo poder estatal - é a qualidade desse serviço. O edital deve estabelecer claramente as obras e investimentos necessários, os indicadores operacionais de serviço, cabendo à ANAC sua fiscalização. Nada menos do que o padrão internacional é o que se espera.