"Eletrobras é uma coordenação de holding que não foi revitalizada no governo Lula como prometido", afirma o professor Ildo Sauer
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Para Ildo Sauer, ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras, professor e diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (IEE-USP), a Eletrobras já possui elementos de companhia privatizada.
"O Fernando Henrique Cardoso transferia inteiramente as estatais para a privatização. No governo Lula criamos um híbrido", afirma Sauer.
Para o diretor, o presidente Lula não privatizou a Eletrobras, mas "subordinou espaço econômico do setor de energia a uma partilha de interesses entre os grupos privados e estatais".
Ele afirma que a Eletrobras dá segurança às empresas privadas, que colocam em prática os projetos da estatal usando financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ficam com os lucros gerados. "A gestão e os riscos ficam no 'colo' do governo".
Sauer diz que foi isso que aconteceu com a gestão das hidrelétricas, onde "pequenas e boas foram entregues para consórcio privado e as grandes e problemáticas ficaram no colo do governo".
Ele dá o exemplo da polêmica usina de Belo Monte, em que as estatais Chesf e Eletronorte detêm 49,98% do consórcio.
O professor explica ainda que a Eletrobras deixou de ser uma empresa líder para se tornar "muleta de uma nova forma de organizar negócios".
Para ele, "a Eletrobras é uma coordenação de holding que não foi revitalizada no governo Lula como prometido".
Sauer conta ainda que o planejamento energético foi transferido para a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que acabou perdendo a credibilidade.
"A visão estratégica no setor de energia desapareceu, eles estão interessados em barganhas políticas", afirma Sauer.
Procurada pela equipe de reportagem do Brasil Econômico, a assessoria de imprensa da Eletrobras afirmou que seus representantes não se pronunciariam sobre o assunto.
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