José da Costa Carvalho, presidente da Eletrobras: meta de desempenho quinquenal para subsidiárias
Comunidade
Se governo não renovar concessões que vencem nos próximos cinco anos, estatal deve rever projetos de R$ 100 bilhões até 2019.
A Eletrobras quer alcançar a condição de maior empresa de energia elétrica do mundo a partir de fontes renováveis.
Em meio às discussões do novo Plano de Negócios 2011-2020, que deverá ser divulgado no segundo semestre, a diretoria da estatal sabe que tal objetivo demandará esforços para, de início, elevar a rentabilidade dos atuais 3% do patrimônio líquido para um patamar superior a 10%, até 2020.
Há apenas quatro meses na presidência da companhia, José da Costa Carvalho sabe, no entanto, que a meta pode ser dificultada, caso o governo opte por não renovar as concessões de usinas e linhas de transmissão que vencem em 2015.
O executivo justifica que, sem a renovação das concessões, o investimento para os próximos cinco anos terá que sofrer um corte que fatalmente reduzirá o montante total para menos do que os cerca de R$ 100 bilhões do plano atual (2010-2019). Tudo para não comprometer o endividamento da estatal. Do alto de 45 anos de experiência, Costa também sabe que terá que sanear a periclitante situação das distribuidoras federalizadas do Norte e Nordeste.
A intenção é baixar, até 2015, o atual índice de perdas comerciais das empresas, que chega a 42% no caso da Amazônia Energia, para a média das distribuidoras nacionais (16%).
"A questão das concessões é um dos pontos sobre o qual temos trabalhado no novo Plano de Negócios", revela o executivo para o Brasil Econômico. "O problema é que, se não houver a renovação, teremos que reduzir os investimentos previstos, porque contaríamos com uma menor geração de caixa.
Com um caixa menor, teríamos que recorrer a um maior endividamento. Como pretendemos manter a atual relação dívida/geração de caixa em 1,5, que é considerado saudável, teríamos que reduzir os investimentos. Mas isto (a proposta de renovação das concessões) ainda está em avaliação pelo governo, e temos certeza que será dada uma solução boa."
Maior empresa do setor elétrico da América Latina, a Eletrobras responde por 42 mil megawatts (MW) de potência instalada em geração, quase a metade dos 110 mil MW do país. Também detém 56 mil quilômetros de linhas de transmissão, mais de 50% dos 100 mil quilômetros instalados em território nacional.
Atualmente, não só estuda investir no equivalente a 40 mil MW em novos projetos de geração no Brasil e no exterior, como mantém outros 20 mil MW em construção.
A estatal encerrou 2010 com lucro líquido de R$ 1,2 bilhão, maior que os R$ 924 milhões do ano anterior. No mesmo período, no entanto, as seis distribuidoras geridas pela estatal desde o início da década passada tiveram prejuízo de R$ 1,4 bilhão, superior ao resultado negativo de 2009 (R$ 322 milhões). São elas: Amazonas Energia; Boa Vista Energia (Roraima); Ceal (Alagoas); Cepisa (Piauí); Ceron (Rondônia); e Eletroacre.
Além de investir na modernização da infraestrutura das federalizadas, o esforço para sanear as contas das empresas envolverá a fixação de metas formais de desempenho, a exemplo das que também serão exigidas para as geradoras. Para a primeira parte do plano serão investidos US$ 700 milhões pela holding. Como parte dos recursos (US$ 500 milhões) será financiada pelo Banco Mundial, o executivo revela que só uma parcela de US$ 200 milhões sairá do caixa da Eletrobras.
"Com esses investimentos, vamos trocar os medidores de 15% dos consumidores desses estados, que respondem por até 65% do consumo e 70% das perdas comerciais dessas áreas de concessão", diz o presidente da Eletrobras, que evita comentar a hipótese de privatização, levantada como solução por executivos do setor.
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