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Agronegócio

Exportações de tabaco crescem 5,86% em 2011

Humberto Domiciano   (hdomiciano@brasileconomico.com.br)
09/02/12 18:11


Atualmente, cerca de 85% do total de tabaco colhido no Brasil vai para exportação

Atualmente, cerca de 85% do total de tabaco colhido no Brasil vai para exportação

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Os totais ficaram acima das estimativas feitas pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco), que apontavam em uma retração de até 6% nos valores embarcados.

Puxadas principalmente pelas vendas à Ásia, as exportações brasileiras de tabaco encerraram o ano de 2011 com crescimento de 5,86%, somando US$ 2,89 bilhões.

Os totais ficaram acima das estimativas feitas pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco), que apontavam em uma retração de até 6% nos valores embarcados.

Entre as razões para o aumento da comercialização da matéria-prima está o elevado crescimento do consumo em países orientais. A região correspondeu, no passado, ao total de US$ 832,8 milhões, ficando atrás apenas da União Europeia, que realizou negócios na casa dos US$ 1,18 bilhão, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Para Iro Schünke, presidente do Sinditabaco, a China representa um forte mercado comprador do produto brasileiro. "O país é o maior produtor e o maior consumidor de tabaco do mundo. Por lá, as restrições de propaganda e distribuição não são tão fortes. Além disso, temos muita procura por um produto de melhor qualidade e os chineses encontram aqui", explicou.

A lista de compradores do tabaco nacional é puxada pela China, com US$ 380 milhões, seguida pela Bélgica, com US$ 359,6 milhões, Estados Unidos (US$ 276,8 milhões) e Holanda (US$ 199 milhões).

Atualmente, cerca de 85% do total de tabaco colhido no Brasil vai para exportação.

As estimativas para 2012 são de estabilidade, segundo Schünke. "No ano passado, tivemos uma safra muito grande no Brasil, uma das maiores produtividades já registradas. Por conta disso, boa parte desse tabaco será embarcado neste primeiro semestre", completou.

Um ponto que preocupa o Sinditabaco é a taxa de câmbio, que voltou a ser desfavorável no primeiro mês do ano. "A taxa cambial é importante para o nosso negócio, principalmente nos seis primeiros meses, por conta do maior volume de vendas fechadas. Na nossa dinâmica, fechamos acordos entre março e abril e embarcamos posteriormente", definiu.

Tabagismo

O consumo mundial de cigarros permaneceu estável nos últimos três anos, de acordo com informações da Associação Brasileira de Fumicultores (Afubra). Em 2010, a China consumiu 2,546 trilhões de cigarros, seguida pela Índia, com 462,740 bilhões de unidades. Neste período, o Brasil teve consumo de 96,970 bilhões de cigarros.

Na visão de José Luiz Tejon, coordenador do núcleo de agronegócios da ESPM, a comercialização de cigarros permanece nos mesmos níveis por conta do aumento de outros mercados. "Enquanto as campanhas restritivas seguem fortes nos Estados Unidos, Europa e América Latina, locais como Oriente Médio, África e Ásia tornaram-se fortes consumidores do produto", destacou.

Na lista de maiores produtores mundiais de tabaco, dois países africanos aparecem entre os 10 primeiros, são eles Malavi e Zimbábue.

O coordenador afirma que os números do comércio internacional devem se aproximar do equilíbrio neste ano. "Temos tido uma briga de preços, já que países africanos plantaram mais e há uma oferta maior do que a demanda".

Tejon pontua ainda que, no Brasil, a carga tributária eleva o consumo do produto ilegal. "A cada aumento nos impostos sobre o cigarro, observamos o crescimento da entrada de contrabando no mercado, por preços mais baixos, o que acarreta riscos para a saúde do consumidor", ponderou o coordenador.

Em 2010, os impostos representavam 78,74% do total dos custos de produção e comercialização, sendo que o custo médio de um maço ficou na casa de R$ 2,452.


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