A Fibria planeja usar o caixa para pagar R$ 2,4 bilhões devidos a ex-acionistas da Aracruz até julho de 2011
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A Fibria Celulose pode receber ofertas pelo negócio de produção de papel este ano, enquanto busca recuperar o grau de investimento, disse o presidente da empresa, Carlos Aguiar.
"Se recebermos uma boa proposta, nós consideraríamos", disse Aguiar, ex-presidente da Aracruz Celulose, que foi comprada pela Votorantim Celulose & Papel para criar a Fibria no ano passado.
"O principal negócio da Fibria é celulose", acrescentou o executivo. A Fibria é líder mundial na fabricação da commodity.
A venda da divisão de papel, responsável por R$ 1,2 bilhão, ou 20%, do faturamento do ano passado, ajudaria a levantar dinheiro necessário para que a empresa consiga livrar sua dívida da classificação de ‘junk bond,' ou abaixo do grau de investimento.
A Suzano Papel e Celulose é dona de 50% de uma das duas unidades de papel da Fibria, e tem o direito de primeira recusa para comprar a fatia da Fibria.
A Votorantim resgatou a Aracruz após a moeda brasileira ter despencado 23% em 2008 com o colapso do Lehman Brothers Holdings, deixando a empresa com US$ 2,1 bilhões em perdas resultantes de apostas na direção contrária em derivativos cambiais.
A aquisição deixou a Fibria com R$ 15,7 bilhões em dívidas em março do ano passado.
Desde então, a Fibria reduziu o endividamento em 30% para R$ 10,9 bilhões ao final do primeiro trimestre e concluiu o pagamento de US$ 3 bilhões relacionados às perdas cambiais no mês passado.
A companhia agora planeja usar o caixa para pagar R$ 2,4 bilhões devidos a ex-acionistas da Aracruz até julho de 2011, disse o gerente de relações com investidores, André Gonçalves, na mesma entrevista.
A Fibria tenta reduzir a dívida líquida em relação ao lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, o chamado Ebitda, como parte dos esforços para recuperar sua condição de grau de investimento já em 2012, disse Gonçalves.
A empresa quer baixar a taxa de 5,6 no fim de março para 4 em dois anos, disse ele.
A Standard & Poor's cortou a nota de crédito da empresa em três níveis para BB, dois abaixo do grau de investimento, no ano passado por causa da aquisição da Aracruz.
A S&P disse em 22 de abril que pode elevar a nota nos próximos trimestres após a demanda puxada pela China ter permitido à Fibria subir preços pelo sexto mês consecutivo em maio, abrindo caminho para a empresa refinanciar dívidas a juros mais baixos e prazos mais longos.
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