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Futebol

Fifa garante venda de cerveja nos estádios da Copa

Brasil Econômico   - Por Pedro Fonseca / Reuters
19/01/12 11:45


O ministro da saúde Alexandre Padilha, e deputados ligados à área da saúde fizeram pressão no Congresso para que a proibição de bebidas fosse mantida

O ministro da saúde Alexandre Padilha, e deputados ligados à área da saúde fizeram pressão no Congresso para que a proibição de bebidas fosse mantida

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A Copa do Mundo de 2014 vai ter venda de cerveja liberada nos estádios, garantiu o secretário-geral da Fifa, Jêróme Valcke.

A lei, um conjunto de regras e garantias exigidas pela Fifa para a realização do Mundial, estava prevista para ser votada no ano passado na Câmara dos Deputados, mas divergências em temas como a venda de cerveja, o preços dos ingressos e as responsabilidades do governo brasileiro travaram as negociações.

Valcke, veio ao Brasil para acompanhar os preparativos do país e, principalmente, tentar fechar um acordo com o governo e os parlamentares para aprovar a lei, disse que a Fifa aceitou vários pedidos do governo brasileiro, como na questão dos ingressos populares, mas que não admite negociar sobre a venda de cerveja.

"A bebida alcoólica é parte da Copa do Mundo da Fifa, então vai ter. Me desculpe, eu posso parecer um pouco arrogante, mas isso é algo que a gente não negocia. Tem que ser parte da lei o fato de que nós temos o direito de vender cerveja", disse Valcke. 

Desde 2003, a venda de bebidas alcoólicas é proibida em estádios do Brasil como parte do Estatuto do Torcedor. A medida foi tomada para evitar a violência nas arquibancadas nos jogos de futebol.

O ministro da Saúde do governo Dilma Rousseff, Alexandre Padilha, e deputados ligados à área da saúde fizeram pressão no Congresso para que a proibição fosse mantida na lei específica do Mundial.

Para a Fifa, a venda da cerveja nos estádios é uma questão comercial. A federação internacional tem acordo de patrocínio há mais de 25 anos (desde a Copa do Mundo de 1986, no México) com a marca norte-americana Budweiser, que atualmente faz parte do maior grupo de cerveja do mundo, o Anheuser-Busch InBev.

"A nossa parceira, inclusive, é uma empresa brasileira", disse Valcke, lembrando que a cervejaria brasileira AmBev integra a AB InBev.

Valcke já havia levantado o tom das cobranças às autoridades brasileiras sobre as negociações da Lei da Copa na segunda-feira, quando afirmou, em Brasília, que o Brasil estava pedindo demais à Fifa "só porque vocês ganharam cinco Copas do Mundo".

O projeto da lei ainda não foi aprovado numa comissão especial da Câmara dos Deputados que o avalia de forma preliminar. Depois, precisará passar no plenário da Câmara e receber o aval dos senadores. Com o recesso dos parlamentares, a matéria só deverá voltar a ser discutida em fevereiro.

Sobre os preços dos ingressos, outro tema que causa discórdia devido ao direito à meia entrada que estudantes e idosos têm nos eventos esportivos pela legislação brasileira, Valcke disse que o tema será resolvido com a criação de uma categoria especial de ingressos populares de US$ 25.

Serão 300 mil ingressos nos jogos da primeira fase da Copa para diferentes grupos sociais, incluindo indígenas, pessoas que entregarem armas de fogo e pessoas de baixa renda, além dos próprios idosos e estudantes.

Valcke cobrou, no entanto, que haja mecanismos de fiscalizar esse benefício. "É injusto se uma pessoa que pode comprar um ingresso de categoria um compra o ingresso de categoria quatro. Temos que garantir que isso não vai acontecer, porque aparentemente é muito fácil se conseguir uma carteira de estudante aqui", disse.

Na terça-feira, Valcke visitou pela primeira vez as obras nos estádios de Fortaleza (CE) e Salvador (BA) para o Mundial e fez elogios ao que viu nos dois locais. Segundo ele, nenhum dos 12 estádios está fora do prazo para a Copa do Mundo, mas o trabalho precisa ser agilizado na área de infraestrutura, principalmente nos aeroportos.

"As pessoas acham que realizar um jogo de Copa do Mundo é apenas uma partida normal. Elas estão enganadas. São mais de 20 mil pessoas que mudam de uma cidade para a outra às vezes em 24 horas, e o país precisa garantir que estará pronto para isso."

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