Ministros das Finanças da França e da Alemanha sinalizam que Grécia pode estar se aproximando de um acordo com credores privados.
A França e a Alemanha informaram nesta segunda-feira (23/1) que um acordo com os investidores do setor privado para reduzir a dívida da Grécia está "tomando forma", mas que Atenas precisa manter suas promessas de reforma para garantir um novo programa de ajuda externa e evitar a bancarrota em março.
"Uma reestruturação voluntária de dívida pelos investidores privados parece estar tomando forma", disse o ministro francês das Finanças, François Baroin, em entrevista coletiva conjunta com o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble, antes de uma reunião de ministros da Zona do Euro.
Nenhum dos dois quis falar sobre detalhes.
"Estamos determinados a apoiar a Grécia no tempo necessário para implementar reformas e para que elas surtam efeito", disse Baroin.
Já o alemão Schaeuble disse que os líderes políticos precisam cumprir os compromissos de reduzir seus déficits orçamentários, introduzir reformas estruturais e garantir que a dívida seja sustentável, o que segundo ele significa "não muito mais que 120% do PIB" até 2020.
"O que nós queremos é continuar negociando com a Grécia. As negociações serão difíceis, mas queremos que o segundo programa para a Grécia seja implementado em março para que a segunda tranche possa ser liberada", disse Schaeuble.
"A Grécia precisa cumprir seus compromissos, é difícil e já há muito atraso", disse Schaeuble.
O ministro francês citou sinais de "certa estabilização" na economia em crise da Zona do Euro, uma opinião ecoada pelo presidente do banco central alemão, Jens Weidmann, e pelo presidente do BC francês, Christian Noyer, também presente na entrevista.
"Achamos que, em 2012, deveremos ter uma recuperação econômica", disse Weidmann, com Noyer acrescentando que espera melhora a partir do segundo trimestre.
O ministro alemão negou uma notícia do Financial Times, que publicou nesta segunda-feira que a França e a Alemanha pediriam o relaxamento das regras globais de capital bancário para impedir que o crédito fique estagnado na economia real.
"É falso", disse Schaeuble. "O que estamos tentando fazer é implementar Basileia III."
Schaeuble disse que a Alemanha irá adiante com a adoção de um imposto sobre transações financeiras, mas que prefere que seja implementado na Europa se possível.
A Grã-Bretanha é uma forte oponente a qualquer imposto sobre transação financeira a menos que o tributo seja adotado globalmente.
Baroin pediu que a presidência dinamarquesa da União Europeia apresente propostas para a alíquota do imposto e uma base para um imposto sobre transações financeiras assim que possível.
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