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Siderurgia

Gerdau revela planos para mineração e ações disparam

Bárbara Ladeia   (bladeia@brasileconomico.com.br)
03/03/11 21:06


Alves explica que essa inversão se deve, essencialmente ao forte aumento da demanda chinesa, que elevou em escalas estratosféricas a produção de aço

Alves explica que essa inversão se deve, essencialmente ao forte aumento da demanda chinesa, que elevou em escalas estratosféricas a produção de aço

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Em dia de divulgação de resultados, a Gerdau desviou a atenção de analistas e investidores do seu desempenho para a mudança de rota da empresa no que tange aos seus ativos de mineração.

A companhia, que já era autossuficiente em 50% do fornecimento de minério de ferro para suas atividades, aproveitou o momento para anunciar a intenção de "monetizar" - segundo o diretor-presidente da companhia André Gerdau Johannpeter - as suas operações em mineração. Ou seja, vai comercializar parte de sua produção de minério com terceiros.

"A Gerdau vai explorar alternativas que possibilitem isso", sinalizou o executivo durante a teleconferência de resultados da companhia. "Estamos em fase inicial de exploração desses ativos, veremos se há necessidade de parceiros ou não. Vamos ver o nível de comercialidade desses ativos."

A novidade acompanha a revisão do volume de recursos minerais da empresa. A Gerdau havia medido 1,8 bilhão de toneladas de minério de ferro à sua disposição. Após novas pesquisas, as reservas passaram para 2,9 bilhões.

Esse fato se soma à intenção de ampliar a produção de ferro em Minas Gerais que deverá chegar a 7 milhões de toneladas até 2012, o que conferiria 100% de atendimento da demanda da sua usina siderúrgica de Ouro Branco. "Ouro Branco é a menina dos olhos da Gerdau", aponta Leonardo Alves, analista da Link Investimentos.

"Se eles investirem adequadamente, dentro de dois ou três anos poderão estar com uma produção de cerca de 10 milhões de toneladas por ano", comenta Alves, que considera a exposição ao mercado minerário, com foco na exportação do produto, extremamente positiva. "Em 2000, cerca de 80% do lucro da cadeia do aço estava nas siderúrgicas. Hoje 60% da rentabilidade fica nas empresas ligadas às commodities minerais."

Alves explica que essa inversão se deve, essencialmente ao forte aumento da demanda chinesa, que elevou em escalas estratosféricas a produção de aço. "Depois virá a Índia e o sudeste asiático. Não há perspectiva de mudança nesse cenário."

Os altos preços e a volatilidade que acompanham o minério de ferro têm levado siderúrgicas a buscar parcerias com mineradoras. "Siderúrgicas com operações em mineração ou parceiras de mineradoras são sempre muito bem avaliadas por conseguirem uma melhor estabilidade das margens de lucro e uma dependência muito menor das mineradoras", sinaliza Antonio Emilio Bittencourt Ruiz, analista do BB Investimentos.

"É uma tendência em todo o mundo ver as siderúrgicas buscando proteção nas operações de mineração."

Resultados

O resultado da Gerdau, no entanto, não agradou o mercado. O lucro líquido foi 144% maior em 2010, alcançando R$ 2,457 bilhões. Mas 2009 não é uma boa base de comparação devido a crise internacional. No último trimestre do ano, o lucro recuou em 35% em relação ao ano anterior.

"Já estávamos esperando um desempenho desse tipo. A empresa enfrenta problemas com o mercado de aço", lembra Ruiz.

Tanto a taxa de câmbio favorável à importação, como a grande capacidade instalada conjugada à sobreoferta de aço no mundo criam um cenário nada favorável para os preços do produto no país.

Ações

Nesta quinta-feira, os papéis da siderúrgica se destacaram na ponta positiva do Ibovespa, que subiu 1,28%, para 68.145 pontos.

As ações preferenciais da Gerdau (GGBR4) fecharam em alta de 4,60%, cotadas a R$ 22,75. Os ativos da Gerdau Metalúrgica (GOAU4) tiveram ganhos de 4,83%, para R$ 26,70.


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