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Luciano Martins Costa

Hábitos do consumidor dificultam a mudança

19/01/12 07:35 | Luciano Martins Costa - Jornalista e escritor, consultor em estratégia e sustentabilidade



A substituição das sacolas plásticas é uma dessas propostas carregadas de boas intenções que acabam naufragando no teste da realidade objetiva.

Essa discussão está presente no setor de varejo há pelo menos dez anos, sem que se tenha produzido a mudança que todos dizem pretender.

Como tudo que se refere à transição para além da era do petróleo, a questão envolve complexidades que extrapolam em muito rotinas arraigadas, como o ato de carregar compras e depois usar a embalagem para descartar o lixo doméstico.

Embalagens de plástico podem levar até 400 anos para se decompor no ambiente. Os danos imediatos incluem o entupimento de redes de águas pluviais e de esgotos, poluição dos cursos d'água, riscos para a vida silvestre e uma infinidade de problemas que não esperam centenas de anos para acontecer.

Agora mesmo, sob chuvas fortes, muitas cidades brasileiras colhem o fruto da imprevidência, com sacos plásticos boiando na enxurrada e contribuindo para aumentar as enchentes.

Até aqui, o que se fez de mais objetivo foi apenas o esforço para a redução do uso de sacolas plásticas e campanhas de consumo consciente.

Observe-se que o Plastivida, Instituto Sócio-Ambiental do Plástico, mantido pela indústria do setor, tomou a iniciativa de criar um Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas.

Foi feita uma normatização para embalagens mais resistentes, que teoricamente poderiam ser reutilizadas, com um selo e certificação da ABNT.

No entanto, na prática, as pressões pela redução de resíduos no ambiente têm levado à produção de sacolas mais finas e menos resistentes, que se rasgam com facilidade e acabam obrigando ao uso de embalagens duplas para o transporte de produtos mais pesados, como garrafas e frascos.

De acordo com um esclarecimento divulgado na semana passada pelo presidente do instituto, os supermercados de todo o Brasil adquiriram em 2010 cerca de 17,9 bilhões de sacolas, a um custo médio unitário de R$ 0,035.

Portanto, esse insumo custou ao varejo em geral R$ 550 milhões, o que também influencia nas decisões sobre a questão.

Com a adesão de grandes redes de supermercados em São Paulo, Salvador e Porto Alegre, teria havido uma redução superior a 15% no consumo de sacolinhas, mas pesquisa feita pelo Ibope por encomenda da indústria de embalagens plásticas indica que a população tende a resistir à sua substituição, principalmente por sua utilidade no descarte do lixo doméstico.

Na outra ponta da cadeia de consumo, o setor de varejo diz exatamente o contrário - que os consumidores estão dispostos a aderir a uma campanha pela substituição das sacolinhas.

Trata-se, portanto, de um problema da mais alta complexidade, que envolve hábitos arraigados e um setor da economia altamente aquecido em função do aumento do consumo.

A decisão unilateral dos supermercados avança no sentido da defesa do ambiente mas não há garantias de que irá solucionar o problema.

Já houve outras iniciativas semelhantes, entre elas uma tentativa da Câmara Municipal de São Paulo, que em maio de 2011 aprovou uma lei banindo as sacolas plásticas descartáveis. A medida não chegou a ser efetivada.

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Luciano Martins Costa é jornalista e escritor, consultor em estratégia e sustentabilidade


Comentários

Henrique, cascavel | 19/01/12 08:25
Colocaram as sacolinhas como testa de ferro de um problema ambiental. E o resto das embalagens plasticas? Saco para carne, saco para frutas, tubo de pasta de dente, saco do arroz, saco do papel higiênico, garrafas pets..... etc??
Mas acaba por não sair do costume de nosso pais, afinal de contas quem paga o pato e a conta é o pobre do consumidor final.
Decisões deste tipo ja são rotineiras neste lugas, exemplo:
*Muitos bandidos usam armas de fogo, então vamos proibir o cidadão de comprar armas.
E ainda teve um outo exemplo, muito sobrio por sinal, de um juiz de não sei onde, que proibiu o uso de capacete pois eram utilizados como forma de não mostrar o rosto em assaltos, e o outro vereador que queria proibir o garupa em motos..
Nosso pais e suas belas e planejadas leis..


Jorge Hanysz, Itajai-SC | 19/01/12 08:31
é claro que virou hábito a utilização de sacolas plásticas e a reutilização das mesmas para descarte de lixo doméstico... isso todo mundo o faz (utilizar sacos de lixo dá na mesma...) seria mais prudente investir na produção de SACOLAS BIODEGRADÁVEIS e usar desse mal hábito pra melhorar nosso meio-ambiente.


raul silva, porto alegre;rs | 19/01/12 08:54
na realidade nao tem nada haver com ecoligia e sim com custos elevados na aquisiçao das sacolas plasticas e querem repassar para nos consumidor,entao nao podera mais embalar produtos em plasticos. imagina quanto os supermercados iram faturar vendendo sacolas plasticas.dai ja e de mais.


venancio aires, areia / PB | 19/01/12 13:11
Os fabricantes de sacolas de plasticos vão para de fazer a sacolinha e passar a fazer saco de lixo. Os comerciantes param de oferecer a sacolinha e não tem mais essa despesa. O consumido que usava a sacolinha para colocar o lixo, vai ter que comprar saco de lixo e vai continuar enviando lixo no saco plastico. Nos ´lixões´ passaremos de sacolinha para sacos de lixo. Quem colocava a sacolinha de lixo na calçada, agora vai colocar o lixo direto (sem sacola). QUEM GANHOU NISSO TUDO? O ambiente? A concientização? As empresas coletoras de lixo aqui no Brasil operam direitinho? Ainda falta muita coisa no processo todo para comparar com outros paises.


Valdir, São Paulo / SP | 19/01/12 14:00
Querem banir as embalagens, por conta da ma formação do ser humano, se assim for, seguindo o mesmo critério, devemos banir os governantes que não assumem seus papeis na sociedade, pois deixaremos de usar as Sacolas para usarmos Sacos para Lixo, qual é a diferença?

Oque que tem que existir é uma política de conscientização da população com relação ao descarte adequado de TODO o material descartável, juntamente com uma política adequada e eficaz de Coleta Seletiva.

Hoje é a Sacola, amanhã será oque????


amauri santos oliveira, presidente prudente | 25/01/12 19:26
olha o pobre sempre paga a conta,quem trabalha fora e passa no mercado para comprar umas coisinhas e tem que tomar onibus ou trem ou de moto,por acaso o governador penssou nisso? da china tudo que é importado de lá tem plastico desde pratos facas,parafestas ,eletrodomesticos,computadores,e aqui tudo tem plastico lrefrigerantes , no mercado se voce olhar nas gondulas duma ponta na outra tudo é embalado com plastico,por que as sacolinhas bio degradaveis ,se são boas e eram embalados nelas ,e agora se voce pagar passa a ser boa,o judiciario tem que tomar uma posisão,o governo não pode empurrar isso guela abaixo ,e os mercados tem que embalar as mercadorias ,é um absurdo é considerado cartel dos mercados com participação do governador de são paulo lamentavel amauri pres, prudente s.p. amaurisantosoliveira15@hotmail.com


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