A semana foi pesada para o mercado financeiro, com quedas acentuadas e recordes históricos de baixa para as bolsas de valores.
Além do cenário europeu deteriorado, indicadores econômicos chineses, americanos e no mercado doméstico contribuíram para a aversão ao risco generalizada.
O principal índice da BM&FBovespa encerrou a semana aos 53.403 pontos, com queda acumulada de 1,95% na semana e 5,90% no ano.
Para Adriano Moreno, estrategista da FuturaInvest, se não houver novidades - positivas - no cenário externo, principalmente no âmbito político, o Ibovespa deve repetir as quedas já observadas.
"Já está na hora dos políticos começarem a ventilar soluções novas ou implementações práticas do que foi acertado lá atrás. O que estamos vendo é que a temperatura da crise está subindo e nada está sendo feito", avalia.
O cenário conturbado na Zona do Euro alimenta a aversão ao risco, que ainda encontra combustível nos dados negativos das economias americana e brasileira.
"Acredito que a agenda de indicadores ficará em segundo plano na próxima semana. Será mais importante acompanhar o cenário político e as medidas econômicas que possam surgir no cenário americano. Há quem aposte em um novo quantitative easing 3", afirma.
Moreno avalia que o índice deve "escorregar rápido" para os 50 mil caso ultrapasse a barreira dos 53 mil pontos. "Nesse clima que estamos vendo, as ações vão sofrer", conclui.
Análise técnica
Leandro Ruschel, analista gráfico e diretor da Escola de Traders Leandro&Stormer, também crê na manutenção da tendência de baixa do Ibovespa, com suporte em 53 mil pontos.
"Por enquanto os compradores conseguiram segurar nesse patamar, mas tivemos sinalização bem negativa do mercado americano, com Dow Jones perdendo suporte similar por volta de 12.300 pontos. Essa é uma sinalização bastante negativa para o mercado global", avalia.
Diante desse cenário, a primeira semana de pregões de junho deve repetir os índices negativos vistos em maio.
A resistência do Ibovespa está em 56.600 pontos e a tendência de perdas do índice se reverterá apenas se romper esse patamar.
Ibovespa Futuro
Observando o gráfico do índice futuro (abaixo), Wagner Caetano, diretor da Top Traders, afirma que o índice futuro novamente testou uma linha de tendência de alta (LTA) de longo prazo, divisor de águas entre a continuidade de um mercado dominado pela venda, com muito espaço ainda para cair ou uma possível reversão, na mesma linha de tendência que segurou a queda de 2008.









