Na sociedade de conhecimento, jovens precisam de pelo menos 11 anos de escola para ter acesso ao mercado de trabalho
Comunidade
Cada vez mais empresas desenvolvem pilotos com foco em criar novas tecnologias para solucionar a crise das três últimas séries do ensino básico. Governo aproveita essas ações para criar políticas públicas.
Para que serve o ensino médio? A pergunta até parece óbvia, mas consegue fazer calar educadores experientes, especialmente aqueles ligados à escola pública.
Não é à toa, o único ponto de concordância entre todos é que as séries finais da educação básica estão em crise, o que prova o alto índice de evasão dos alunos neste período.
Pois Wanda Engel, superintendente executiva do Instituto Unibanco, garante saber a resposta e que isso não basta para a solução.
"O ensino médio é a última fase da base e deve garantir as competências que um aluno precisa ter para entrar no mercado de trabalho ou continuar os estudos", explica. "Não adianta tratá-lo mais como fase de passagem para o mercado de trabalho, pois isso só era possível quando as pessoas conseguiam emprego só com o ensino fundamental. O que não acontece mais."
No Instituto Unibanco, Wanda há anos se debruça sobre os problemas do ensino médio. E não são os únicos. Várias empresas vêm desenvolvendo soluções para esta crise.
Há quem aposte em tirar os melhores da escola pública e levar a particulares, a fim de promover mais rápido a ascensão desses alunos. É o caso do Ismart, que tem entre seus apoiadores a Fundação Lemann. Há quem prefira abrir suas próprias escolas, como Bradesco, Embraer e JBS.
Seja qual for a iniciativa, Wanda alerta que mais do que mão de obra qualificada, o Brasil precisa de mão de obra escolarizada.
"Na sociedade agrícola, as pessoas podiam ter só quatro anos de estudo que garantiam seu emprego. Na sociedade industrial, a exigência era oito anos. Mas agora, na sociedade de conhecimento, precisamos de estudantes com no mínimo 11 anos de ensino", diz.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, um em cada 10 alunos de 15 a 17 anos deixa de estudar nessa fase. Os motivos?
"Pesquisas mostram que 40% dos alunos que abandonam a escola no ensino médio simplesmente não têm interesse, o que pode ser desdobrado em outros fatores: falta de condição acadêmica para continuar os estudos, pois 85% dos alunos que chegam ao ensino médio têm desempenho de 5ª série; problemas financeiros, desinteresse pelo currículo ou mesmo falta de perspectiva futura."
Pensando nessa realidade, o o Instituto Unibanco desenvolve o Projeto Jovem de Futuro, com o objetivo de aumentar o desempenho escolar dos alunos e diminuir os índices de evasão.
O programa foi testado de 2008 a 2010 nas redes estaduais de Minas Gerais e Rio Grande do Sul e agora ganhou status de política pública.
O instituto assinou, em parceria com o Ministério da Educação, um termo de cooperação com seis estados - Pará, Ceará, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Piauí -, para ampliação do Projeto Jovem de Futuro do instituto, que passa a integrar o programa Ensino Médio Inovador, do governo federal.
As escolas públicas que aderirem ao projeto vão receber apoio técnico para a elaboração de um plano estratégico, assistência técnica para uma gestão para resultados e R$100 por aluno do ensino médio ao ano, para a implantação desse plano.
"A escola tem de aprender a ter sucesso, para isso tem de ter autonomia e, em contrapartida, melhorar substancialmente o desempenho nas avaliações escolares", diz.
A meta é que os estados acelerem, em cinco anos, sua aproximação ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 6 - meta do governo federal para 2022. Estas ações, no entanto, não são suficientes para resolver o problema da evasão. "Lançamos a campanha ‘Estudar vale a pena' para tentar diminuir a sangria".
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