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Itaú Unibanco cai com crédito em evolução pior do que setor

Brasil Econômico   - Por Telma Marotto e Felipe Frisch/Bloomberg News
03/08/10 13:36


Calderon: crescimento menor da carteira de crédito, quando comparada ao sistema, se deve à participação de grandes empresas na carteira da instituição

Calderon: crescimento menor da carteira de crédito, quando comparada ao sistema, se deve à participação de grandes empresas na carteira da instituição

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As ações preferenciais do Itaú Unibanco Holding, o maior banco do país em valor de mercado, registraram a maior queda em um mês após a divulgação do resultado de segundo trimestre.

O crescimento da carteira de crédito foi inferior aos concorrentes e houve com aumento das despesas com migração de agências e publicidade.

Às 13h34, as ações preferenciais do Itaú (ITUB4) caíam 2,44%, cotadas a R$ 38,74. Pouco após as 11h, chegou a cair 3,4%, a maior perda desde 29 de junho.

O Itaú informou que a sua carteira de empréstimos, incluindo avais e fianças, cresceu 11% para R$ 296,2 bilhões. Segundo dados do Banco Central, os empréstimos bancários no país cresceram 19,7% em junho, na comparação anual, para R$ 1,53 trilhão.

Segundo o chefe do departamento de relações com investidores do banco, Rogério Calderon, o crescimento menor da carteira de crédito, quando comparada ao sistema, se deve à participação de grandes empresas na carteira da instituição.

De acordo com ele, os mercados de capitais estão oferecendo alternativas de empréstimos para empresas de grande porte, o que reduz a demanda dessas empresas por empréstimos bancários.

As despesas não decorrentes de juros subiram 11% para R$ 7,57 bilhões. O banco atribuiu o aumento das despesas em parte aos gastos com propaganda relacionadas a Copa do Mundo e também a aceleração do processo de migração das agências do Unibanco para a plataforma do Itaú.

"O forte crescimento nas despesas e crescimento de crédito menor que o sistema podem ser fontes de frustração," disse Mario Pierry, analista do Deutsche Bank Securities, em um relatório.

Bradesco cresce mais

O lucro do Itaú cresceu 36% no segundo trimestre por conta da expansão econômica.

O lucro recorrente, que exclui itens extraordinários, atingiu R$ 3,3 bilhões, ou R$ 0,73 por ação, nos três meses que se encerraram em 30 de junho, ante um lucro de R$ 2,43 bilhões, ou R$ 0,54, no mesmo período do ano anterior, disse o banco hoje (3) em um comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A estimativa mediana para o lucro ajustado era de R$ 3,216 bilhões em uma pesquisa da Bloomberg com cinco analistas. O lucro líquido incluindo os itens extraordinários subiu 23%, para R$ 3,17 bilhões.

O Banco Bradesco, o segundo maior banco do país em valor de mercado, disse no dia 28 de julho que seu lucro ajustado subiu 23%, para R$ 2,46 bilhões. A carteira de crédito cresceu 15% no trimestre.

Para o analista Aloisio Lemos, analista da Ágora Corretora, da Ágora Corretora, a queda das ações do Itaú hoje é parcialmente explicada pela realização de lucro.

Os papéis do banco subiram 21,8% em julho, já com a expectativa pelos números do segundo trimestre.

Bancos públicos

Segundo ele, o crescimento da carteira de crédito veio abaixo da média do setor "porque os grandes bancos privados têm tido a tendência e crescer menos do que os bancos públicos, BNDES e Caixa Econômica Federal inclusive, que têm puxado as estatísticas desde o ano passado, com as medidas contra cíclicas do governo."

A economia brasileira deve crescer 7,2% este ano, segundo estimativa de economistas coletados pela pesquisa Focus do Banco Central publicada 2 de agosto.

Seria a maior taxa de crescimento em mais de duas décadas. Os empréstimos bancários no país cresceram 19,7% em junho, na comparação anual, para R$ 1,53 trilhão, segundo dados do BC.

O índice de inadimplência do Itaú medido por atrasos de mais de 90 dias caiu para 4,6% no final de junho, contra 4,9% ao fim do primeiro trimestre.


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