Qualquer cidadão que se considere bem informado tem nestes tempos a possibilidade de constatar, com uma rápida consulta à sua própria memória, a rapidez e a efetividade do processo de consolidação da nova economia.
Não a economia digital, mas a convergência entre as novas tecnologias e as exigências ambientais que produzem novos comportamentos na produção e no consumo de bens e serviços.
Não é difícil, principalmente para os protagonistas do ambiente empresarial, fazer um balanço de como evoluiu sua própria consciência a respeito da questão da sustentabilidade.
Quem se dedicar a esse exercício mental vai provavelmente se dar conta de quanto preconceito foi produzido nas últimas décadas contra os militantes que "disturbavam" o ambiente conservador das empresas com pregações em favor de espécies em extinção ou pela preservação das florestas.
Nada demais - é natural que os grandes sistemas demorem a se adaptar a esse tipo de mudança, geralmente encarado como fonte de custos e elemento alheio à cultura corporativa tradicional.
Pois nesse período, que coincide com o desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação, o ambiente de negócios aprendeu que a responsabilidade social e ambiental não apenas amplia o significado da atividade produtiva como pode trazer resultados econômicos.
Neste mês de fevereiro, dia 12, completam-se cinco anos da divulgação do relatório mais impactante do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, aquele que demonstrou a origem antropogênica dos problemas ambientais que ameaçam a sobrevivência da sociedade humana.
Trata-se, portanto, de um momento especial para a reflexão daqueles que partilham as responsabilidades decisórias em empresas privadas, entidades públicas, ou mesmo para questões muito pessoais como a gestão de seu patrimônio ou de sua carreira.
Depois do período de catastrofismo, que se seguiu à divulgação dos alertas dos cientistas do aquecimento global, vieram as conturbadas negociações no âmbito dos estados nacionais, enquanto a vanguarda dos gestores tratava de criar mecanismos para estimular investimentos na redução dos impactos da atividade humana no meio ambiente.
Descobriu-se, por exemplo, o valor da cooperação entre antigos competidores e desenvolveram-se práticas de negociação que permitem uma melhor integração dos elementos das cadeias produtivas. Registre-se também o embrião de uma nova relação entre Estado e iniciativa privada, que pode inspirar um sistema econômico mais eficiente e menos vulnerável a crises.
A "economia verde" evolui para um padrão mais complexo e capaz de integrar ao desenvolvimento as legiões de cidadãos excluídos dos benefícios da geração de riqueza.
Pode parecer estranho, em meio a tantas notícias sobre a crise econômica que perturba os países desenvolvidos, invocar tais reflexões. A crise, em si, tem como personagens centrais exatamente os próceres da antiga ordem da irresponsabilidade e do desperdício.
Passada meia década do susto das revelações apocalípticas sobre o clima, há sinais de que a sociedade pode criar alternativas sem esperar pela ação de líderes formais.
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Luciano Margins Costa é jornalista e escritor, consultor em estratégia e sustentabilidade
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