É impressionante a forma como Steve Jobs conseguiu lançar tantos produtos inovadores e transformar toda a indústria dos computadores e eletrônicos com uma verba de Pesquisa & Desenvolvimento muito inferior a de seus concorrentes.
Lendo um livro dele, lembrei quando eu ainda estava na escola e decidi fazer administração de empresas. Tive que ouvir de colegas e professores que seria um equívoco eu optar por administração uma vez que demonstrava um perfil mais criativo.
Nunca concordei com essa visão e sempre acreditei no imenso desafio criativo de gerir uma empresa.
Ainda no começo da faculdade, tive a oportunidade de ler "The Fifities", livro de David Halberstem, que conta as transformações dos anos 50 nos EUA.
Não é um livro de administração e sim de comportamento. Entre as mudanças iniciadas naquela década, há um capitulo sobre os empreendedores do McDonald's.
Em apenas 17 páginas, entramos no universo dos irmãos McDonald que, após algumas tentativas frustradas de negócios, abriram uma lanchonete na Califórnia.
Observando os clientes, descobriram que os americanos buscavam refeições rápidas.
Para conseguir atender mais pessoas, criaram as próprias fritadeiras, reduziram o mix de produtos, passaram a usar lâmpadas infravermelho para aquecer os sanduíches, acabaram com os garçons e inverteram o processo pelo qual as pessoas pagavam e levavam sanduíches para a mesa.
Tudo isso modelou o que chamamos hoje de fast food, baseado no trinômio rapidez, preço e volume.
Certo dia, um empreendedor de máquinas de milk shakes decidiu entender como aquela loja tinha dez máquinas enquanto as melhores lanchonetes dos EUA tinham duas. Ele ficou dois dias, sentado em uma mesa olhando o movimento e o potencial do novo negócio.
Era Ray Kroc que comprou o McDonald's dos irmãos, expandiu o modelo em forma de franquias e atingiu a marca de 31 mil lojas em todo o mundo neste ano.
Assim como eles e Jobs, podemos citar uma lista de administradores extremamente criativos: Jack Welch, criativo em RH, pelo modelo de formação de líderes; Michael Dell, criativo em vendas, pelo sistema de vendas diretas; Luiz Seabra, criativo em marketing, pelo posicionamento da Natura como empresa sustentável.
Todos encontraram, onde ninguém mais enxergou, espaço para criar e inovar. Muitos deles não fizeram administração de empresas, mas entendiam como poucos de marketing, RH, finanças e processos.
Ainda hoje, vemos jovens e professores considerando a administração de empresas uma disciplina entediante e burocrática. Muitos dizem que, para o Brasil crescer, precisamos investir mais em Pesquisa & Desenvolvimento, o que é verdade.
No entanto, histórias como a da Apple e da Natura mostram que, mais do que investimento em pesquisa, precisamos de líderes inovadores.
Quando os jovens criativos começarem a se entusiasmar pela profissão de administração e a enxergar as imensas oportunidades que uma empresa oferece, teremos um grupo de empreendedores e executivos capaz de elevar o nível de inovação das empresas brasileiras.
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Maurício de Almeida Prado é sócio-diretor da agência de promoções e eventos Plano1
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