O Rio de Janeiro talvez seja o melhor retrato da retomada de fôlego vivida pela economia brasileira nos últimos anos. Depois de atravessar décadas num processo de deterioração que parecia irreversível, a cidade e o estado do Rio ingressaram num círculo virtuoso no qual poucos apostariam anos atrás.
Puxada pela construção naval, pela extração de óleo e gás, pela atração de investimentos relevantes em outros campos industriais (da siderurgia à indústria automobilística) a economia voltou a florescer.
Some-se a esses ramos de atividade o ressurgimento de um mercado financeiro moderno e criativo e um conjunto de iniciativas importantes no rastro dos grandes eventos previstos para acontecer entre este ano, com a conferência Rio+20, e 2016, com os jogos olímpicos.
Acrescente-se ainda a decisão do governo estadual de reaver para a sociedade fluminense o controle de regiões que passaram os últimos trinta anos sob o controle da bandidagem e o resultado é um dos mais dinâmicos ambientes de negócios do Brasil atual.
É para retratar esse momento que o Brasil Econômico estréia hoje a coluna Rio de Negócios. Assinada pela jornalista Erica Ribeiro, a coluna será semanal e publicada sempre às segundas-feiras.
A intenção é trazer informações inéditas sobre empreendimentos, e oportunidades, além de idéias que tenham o Rio como tema e como cenário. A coluna também não fechará os olhos para a ainda extensa lista de problemas que, a despeito do momento altamente positivo, ainda precisam encontrar sua solução definitiva.
Mesmo com todos os avanços dos últimos anos, o Rio ainda tem muito o que evoluir para oferecer uma melhor condição de vida à população das comunidades devolvidas à sociedade nos últimos tempos.
O processo apenas começou e a própria decisão de enfrentá-lo pode ser vista como uma boa oportunidade.
É lógico que uma parte do bom momento atual se refletem sobre o Rio mas não se deve a decisões tomadas ali. Na mesma medida, a solução de muitos dos problemas que afetam o estado depende de providências que não serão tomadas no Rio, mas em Brasília, e terão efeito sobre todo o país.
O que se pretende dizer com isso é que tanto o Brasil quanto o estado ganham - e muito - quando as decisões tomadas em benefício de um não prejudicam o outro.
Esse é um ponto importante. A exemplo dos outros estados brasileiros o Rio de Janeiro ganhará muito no instante em que governo federal se dispuser a rever o cálculo do serviço das dívidas estaduais estabelecido nos anos 1990.
Estabelecido numa época em que os juros e a memória inflacionária justificavam sua adoção, o critério tornou-se injusto por transferir para o caixa da União, neste momento de juros em queda, recursos que fazem falta aos estados.
É claro que, num momento em que o país necessita dar uma chacoalhada geral em seu ambiente fiscal, essa revisão só virá como conseqüência de uma negociação em que os estados terão de abrir mão de alguns direitos (sobretudo no que se refere ao ICMS) em troca de um desafogo em suas obrigações financeiras.
Num cenário como esse, o Rio de Janeiro pode muito bem tomar a dianteira e liderar essa discussão. O momento é esse.
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Ricardo Galuppo é Publisher do Brasil Econômico
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