Ticker Bolsa 1

Ticker Bolsa 2

Indicadores

Maior liquidez não garante alta das commodities

Felipe Peroni   (fperoni@brasileconomico.com.br)
30/01/12 20:19


Para o ouro, a perspectiva é positiva, em meio à maior liquidez mundial

Para o ouro, a perspectiva é positiva, em meio à maior liquidez mundial

Collapse

Comunidade

Partilhe: del.icio.us   Digg   Facebook   TwitThis   Google   Mixx   Technorati  

A perspectiva de uma política monetária mais frouxa pelos principais bancos centrais mundiais pode indicar uma interrupção na tendência de queda nas commodities vista no ano passado.

Contudo, fundamentos positivos na oferta e fraca demanda mundial persistem como fatores de baixa nos preços dos produtos.

Após o ano ter iniciado sob o efeito de eventos climáticos negativos para safras importantes no Brasil e Argentina, uma recuperação nos mercados globais e, mais recentemente, a perspectiva de juros mais baixos nos Estados Unidos, resultaram em uma recuperação nos preços desses produtos.

O Índice Reuters/Jefferies CRB, referência de preços internacionais de commodities, acumula alta de 4% desde o final do ano passado, recuperando parte da desvalorização de 2011, quando o índice caiu 8,2%.

No entanto, dificilmente será observado um cenário como o de 2010, quando os preços desses produtos subiram 17,4%.

"Olhando as commodities de uma maneira geral, teremos um cenário de indefinição e volatilidade", diz Paulo Costa, especialista em commodities e sócio-diretor da consultoria PFSCosta e Associados.

"Vamos conviver por muitos meses com essa alternância de preços", diz.

Na semana passada, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) anunciou que pretende manter os juros próximos de zero até meados de 2014 - até então, a meta era manter a taxa reduzida até 2013.

Após recentes medidas adotadas na Europa, o efeito principal é uma elevação da liquidez mundial. "A liquidez joga os preços de ativos para cima", diz Dirceu Bezerra Junior, co-fundador da consultoria Rosenberg & Associados.

Os futuros de ouro com vencimento em abril operam a US$ 1.732 por onça (31,1 gramas), após terem iniciado o ano ao redor de US$ 1.600. Com um cenário de alta liquidez e instabilidade nos mercados financeiros, o viés para o metal é de alta.

"O ouro cai como as demais commodities no aumento de liquidez, e sobe também como ativo de proteção na incerteza", diz Bezerra. Ele ressalta que o metal pode voltar a se aproximar dos US$ 2.000 a onça, patamar que se aproximou em setembro de 2011.

Dentre as commodities agrícolas, questões relacionadas aos fundamentos podem evitar maiores altas nos preços.

Exemplo disso é a soja, principal commodity na produção brasileira. "Temos uma quebra na Argentina e no Sul do país. Mas no Mato Grosso, que hoje é o maior estado produtor, a umidade está prejudicando o início da colheita", diz Costa.

Contudo, ele ressalta que nos Estados Unidos a safra deve ser positiva. "A questão vai ser a demanda. Com o dinamismo da China teremos preços em um patamar que continua sendo remunerador", ressalta.

No açúcar, após a alta do ano passado, a perspectiva é que não há mais espaço para subir. Por um lado, a safra de 2012 no Brasil, maior produtor mundial de açúcar, não deve ser pior do que a atual, em que já se estima uma redução de 6,9% para a commodity.

"Além disso, estoques mundiais estão bons, suficientes para manter uma demanda que ainda deve ser menor", diz Costa.

No café, o ano promete ser de sazonalidade alta, proporcionando maior produção. Mas o maior fator a influenciar a commodity é a demanda global.

"O café é muito dependente dos países ricos, que são os grandes consumidores. Com as economias enfraquecidas, há um viés de baixa", explica Costa.

O milho encontra o cenário mais forte no curto-prazo. Com a produção mais afetada pelas chuvas no sul do país, o produto vê cenário de escassez na primeira safra, de verão. Os preços só poderão retomar o viés de baixa após a safra de inverno.

"No trigo, provavelmente teremos um ano com abundância de oferta, e isso é bom para o Brasil, que é importador", ressalta Costa.

No petróleo, as tensões com o Irã elevaram os receios no início do ano. Declarações da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) de que o mercado está abastecido tranquilizaram os investidores.

No mês, os contratos para março operam praticamente estáveis, a US$ 99,82 por barril.

Confira na seção "Indicadores Econômicos" as principais variáveis macroeconômicas do Brasil

Indicadores


Comentários

Ainda não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!
Envie o seu comentário

Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O Brasil Econômico reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

outros jornais da EJESA