O dólar tem alta pronunciada nesta sexta-feira (2/3), e chegou a atingir o nível de R$ 1,73, após medida do Banco Central (BC) para reduzir o fluxo de dólares ao país.
Na noite de quinta-feira, circular emitida pela autoridade monetária definiu que os pagamentos antecipados de exportações, captação com prazo ilimitado e sem taxação, ficam restritos a operações com prazo de 360 dias.
Acima desse prazo, a operação será classificada como um finaciamento normal, sujeito à Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6%.
Essa modalidade é utilizada por empresas, e a captação é liquidada por meio das exportações.
"O BC está tentando fechar uma brecha", diz Alfredo Barbutti, economista da corretora BGC Liquidez. "Olhando as estatísticas, ele interpretou que estaria havendo um movimento maior neste ano em relação ao início do ano passado", explica.
Neste ano, segundo dados do BC, essas operações somam US$ 8 bilhões.
A medida também determina que esses empréstimos só poderão ser considerados como pagamentos antecipados caso sejam fornecidos por empresas importadoras - o dinheiro coletado com bancos fica fora dessa categoria.
"Muitos estavam tomando esses pré-pagamentos como forma de capital de giro", diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora. "Agora esses contratos mais longos serão tratados como operação normal".
"O exportador vai pagar pelo especulador, porque não tem como diferenciar o dinheiro", avalia João Ferreira, sócio diretor da Futura Corretora.
A reação do mercado de câmbio foi de alta. A moeda atingiu uma máxima a R$ 1,73, mas reduziu os ganhos. O dólar tem alta de 0,87%, a R$ 1,725 na compra e R$ 1,727 na venda.
Adicionalmente, o Banco Central realizou compras de dólares no mercado à vista.
Na manhã de quinta-feira (1/3), o Ministério da Fazenda havia anunciado outra medida para conter a valorização do real. Em decreto, o governo estendeu cobrança de 6% no IOF a empréstimos captados no exterior com prazo de três anos.
Anteriormente, essa alíquota incidia a captações com prazo de dois anos.
"Muitos investidores deixarão de aplicar, pois em três anos o risco é muito elevado", avalia Galhardo.
O mercado externo também ajuda a tarefa do BC de valorizar a moeda americana. Com queda nas bolsas globais, o dólar figura como ativo seguro, e avança frente as principais divisas.
A moeda americana tem alta de 0,94% ante o euro, 0,66% face ao dólar australiano e de 0,38% frente ao dólar canadense.








