O Rabobank projeta expansão entre 2,5% e 3,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2012
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O posicionamento como grande exportador de commodities e uma economia interna robusta reduzem a vulnerabilidade do Brasil a choques internacionais.
O Brasil não está blindado contra os acontecimentos globais, porém tem munições que o auxiliam a enfrentar a deterioração dos fundamentos econômicos externos, conforme avaliação de Herwin Loman, economista do Rabobank.
"O Brasil está exclusivamente posicionado como um exportador de vasta gama de commodities. Em comparação com outros produtores de commodities, suas exportações são bastante diversificadas (também incluem aviões, por exemplo). O país ainda conta com uma grande economia doméstica", afirmou Loman.
Segundo o economista, estes dois fatores reduzem a vulnerabilidade do Brasil aos choques externos.
No entanto, "o país não está isolado dos desenvolvimentos globais, o que foi demonstrado pelo impacto do estresse econômico global sobre o real e a bolsa de valores no segundo semestre de 2011", destacou.
O principal índice da BM&FBovespa encerrou o ano passado com queda de 18,1%, ao passo que o dólar avançou mais de 12%.
Loman pondera ainda que um recrudescimento da crise na Europa poderia afetar a economia brasileira por dois canais: comércio e crédito.
Com o agravamento da crise, as relações comerciais seriam prejudicadas por preços mais baixos das commodities, enquanto o crédito seria influenciado pelos problemas do sistema bancário europeu.
"A maioria das filiais de bancos europeus na América Latina é financiada localmente, mas ainda assim estão interligados, e, portanto, a disponibilidade de crédito pode ser atingida por um congelamento dos fluxos de crédito global", explicou o economista.
A solução recai sobre a China. Mas mesmo considerando o papel fundamental da economia chinesa para manutenção da demanda, Loman afirma que o modelo chinês também tem suas limitações, uma vez que ainda é impulsionado pelo investimento e exportações do Ocidente.
Consumo x Crescimento
Na última década, o Basil vem se beneficiando da ascensão da classe média, que de certa forma contribuiu com o fortalecimento da demanda e, ao mesmo tempo, auxiliou a melhora da estabilidade econômica e política, segundo Loman.
No entanto, "o consumo foi completamente uma extensão de crédito dirigido, e devido à carga elevada de reembolso, que é parcialmente resultado do alto custo do crédito no Brasil, este motor de crescimento não funcionará tão vigorosamente como o fez até este verão", ressaltou o economista.
Além disso, o economista nota que há uma série de fatores estruturais que impedem o Brasil de crescer muito mais rápido no médio prazo. A baixa taxa de poupança, por exemplo, limita o investimento e, consequentemente, o crescimento.
"O Brasil também poderia crescer muito mais rápido se melhorasse sua infraestrutura, educação e o sistema tributário", listou Loman.
O Rabobank projeta expansão entre 2,5% e 3,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2012.
"O crédito mais fácil e as condições monetárias, graças a recente atuação do Banco Central, ajudarão a impulsionar o crescimento, mas o ambiente externo menos benigno conterá o crescimento ao mesmo tempo", pondera.
Quanto à inflação, a expectativa é de arrefecimento, mas o índice de preços permanecerá acima do centro da meta, estabelecido em 4,5%.
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