Ações da Cyrela escaparam das perdas do setor na bolsa no pregão desta quinta-feira
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Para Antonio Guedes, diretor geral da Living Construtora, braço popular da incorporadora e construtora Cyrela, setor imobiliário tende a crescer de forma mais sustentável a partir deste ano.
Enquanto o faturamento do mercado imobiliário apresenta crescimentos recordes para o semestre, em número de unidades vendidas o setor revela arrefecimento.
Os sinais de freio na atividade econômica refletem no mercado de ações e, no fechamento do pregão desta quinta-feira (14/7), papéis de construtoras voltaram a figurar entre as maiores quedas na BM&FBovespa.
As ações da Rossi, incorporadora que apresentou a maior desvalorização do dia, depreciaram 5,02%, para R$ 11,53. A MRV e a PDG também se destacaram negativamente, acumulando perdas de 4,63% e 4,53%, respectivamente. O Ibovespa fechou em queda de 1,63%.
A Cyrela, por sua vez, escapou de perdas mais pesadas, vendo seus papéis recuarem 0,47% (R$ 14,59). Na véspera, as ações CYRE3 subiram mais de 6% depois que a empresa anunciou um programa de recompra de ações.
Para Antonio Guedes, diretor geral da Living Construtora, braço popular da Cyrela, hoje há uma grande diferença entre o valor dos ativos das imobiliárias e o preço que o mercado está pagando por eles. Nesse sentido, a recompra de ações é um instrumento comum de "correção" dos preços.
"O investidor está ressabiado em apostar nas ações do mercado imobiliário por diversos motivos, como a elevação da taxa de juros, da inflação, dos custos de construção. O segmento está sim muito aquecido, mas não basta crescer, tem de apresentar lucro para atrair o investidor", analisa.
Aguardando o retorno esperado pelas ações, os investidores cobram mais segurança quanto ao futuro do setor.
"Era sabido desde março que o Minha Casa, Minha Vida 2 seria lançado. O programa foi anunciado, mas só agora saiu o decreto oficial. A única certeza que o investidor tinha, portanto, era de que as construtoras vêm sentindo pressão de preços nas obras. Agora que o futuro está se definindo mais, as construtoras poderão mostrar que o mercado já está se reestabilizando e o investidor vai voltar", diz.
Sustentabilidade econômica
O desaquecimento do mercado é visto como um movimento de adequação do segmento à realidade de expansão do país. Segundo levantamento do Banco Central, a economia brasileira vem desacelerando desde janeiro. Em maio, o IBC-Br, prévia do Produto Interno Bruto (PIB), subiu 0,17% frente a abril. A média para o ano era de 0,48% ao mês. O reflexo é claro para as construtoras: dados do Secovi-SP, sindicato da habitação paulista, apontam que as vendas de unidades caíram 35% entre janeiro e maio deste ano.
"A demanda permanece aquecida, puxada pelo crédito, nível baixo de desemprego e aumento da renda. Entretanto, o setor imobiliário estava vivendo uma expansão muito acima de sua capacidade, o que tende a se equilibrar a partir deste ano", afirma Guedes.
Para o executivo, o crescimento "natural" do mercado está na faixa de 15% ao ano. Vale lembrar que o faturamento das construtoras cresceu 62% entre 2009 e 2010, passando de R$ 17,3 bilhões para R$ 28,1 bilhões. Este ano, a taxa tende a cair para 20%.
Dentre os fatores de maior pressão à sustentabilidade do crescimento do setor estão os custos de construção, puxados pelos salários. O Índice Nacional de Construção Civil (INCC), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), acumula alta de 7,81% nos 12 meses findos em junho. O custo da mão de obra foi o item que mais contribuiu para esse aumento, com variação de 11,05% no período. Os preços dos materiais de construção subiram 4,75% e os de serviços, 6,2%.
"A escassez de mão de obra vinha puxando os salários para cima, mas a tendência é que, a partir desse ano, os custos se estabilizem", acredita.
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