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Estados Unidos

Mercado vê lado bom nos balanços de bancos

Felipe Peroni   (fperoni@brasileconomico.com.br)
20/01/12 17:49


"Não estamos em um bom momento para ser banqueiro", diz Brad Hintz, analista da consultoria americana Sanford C. Bernstein

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A recente valorização de ações dos grandes bancos americanos reflete mais as expectativas do que os balanços trimestrais divulgados.

Após as principais instituições financeiras divulgarem seus resultados do quarto trimestre, o mercado reagiu positivamente, mesmo após um desempenho fraco das instituições.

Os últimos três meses do ano foram marcadas por forte volatilidade nas bolsas de valores mundiais, e incertezas entre investidores. "Não estamos em um bom momento para ser banqueiro", diz Brad Hintz, analista da consultoria americana Sanford C. Bernstein.

O Goldman Sachs viu seu lucro cair pela metade no quarto trimestre, somando US$ 1,01 bilhão.

Já o JPMorgan teve lucro de US$ 3,72 bilhões nos últimos três meses de 2011, queda de 23% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. E o Citigroup reportou lucro líquido de US$ 1,2 bilhão no quarto trimestre de 2011, uma queda frente aos US$ 1,3 bilhão registrados no mesmo período do ano anterior.

O mercado esperava números ainda piores para esses bancos. As ações do Goldman Sachs avançaram 7,8% nos últimos 5 dias. Já os papéis da Wells Fargo subiram 2,35%.

"O Wells Fargo não foi tão mal quanto os outros bancos, então acabou subindo. Já o Bank of America mostrou menos exposição à Europa, e a reorganização fez efeito", explica Hintz.

O Wells Fargo reportou lucro líquido de US$ 4,1 bilhões no terceiro trimestre do ano, uma alta de 21%. E o Bank of America anunciou lucro líquido de US$ 1,99 bilhão, revertendo prejuízo de US$ 1,2 bilhão no mesmo período do ano anterior, após a simplificação da empresa anunciada no final do ano.

"O movimento das ações é totalmente por expectativas", diz. "Estamos exatamente com o mesmo cenário de um ano atrás, quando se especulava que poderia haver uma retomada na economia, o que depois não se confirmou."

Durante o trimestre, as principais dificuldades das instituições foi como colocar em seus balanços as perdas nas ações. O Citigroup, por exemplo, viu uma perda de US$ 90 bilhões nos ativos de sua subsidiária, a Citi Holdings, ao longo de 2011.

Por sua vez, as divisões voltadas a fusões e aquisições dessas entidades ficaram praticamente sem negócios durante o trimestre, em um ambiente que as empresas tiveram relutância em fazer operações desse tipo.

Outro problema é a queda nos juros, afetando os rendimentos dos bancos. "Se você olhara a curva de juros, no curto prazo estão caindo, mas no longo prazo caem ainda mais", explica. "Isso é onde os bancos perdem, pois eles captam a prazos curtos e emprestam no longo prazo."

Lado positivo

Entretanto, em certas áreas os bancos tiveram avanço durante o trimestre. O nível de capital das instituições está melhor, o que alivia as preocupações a respeito da solvência.

"Em todas as instituições está muito difícil realizar operações com ações e derivativos, pois todos estão tomando mínimo risco", diz. "Parte disso é bom, porque eles estão mais conservadores, não é como se estivessem em um cassino."

No lado dos empréstimos, o crédito ficou de lado para as instituições, mas não sofreu queda, mesmo com a desaceleração da economia americana.

O Citicorp, braço do Citigroup que atua no varejo, obteve empréstimos de US$ 465 bilhões no final do quarto trimestre, alta de 14% na comparação anual.

"Nenhum dos bancos teve um trimestre bom, mas houve avanços."


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