A segunda oferta de liquidez do BCE deve ocorrer em 28 de fevereiro.
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Os mercados já se recuperaram dos cortes de rating da semana passada e seguem com o otimismo visto desde o início do ano; mas riscos na Zona do Euro prevalecem.
As perspectivas de crescimento para a região ainda são negativas. E surgiram dúvidas sobre a recente concessão de liquidez aos bancos da região, feita pelo Banco Central Europeu (BCE) em dezembro.
Crescimento
A entidade divulgou nesta quinta-feira (19/1) seu relatório mensal, onde reiterou os receios de baixo crescimento na região.
"No presente, um número de fatores parecem estar enfraquecendo o crescimento na Zona do Euro. Eles incluem a desaceleração da demanda global e a fraca confiança dos negócios e do consumidor", disse o BCE em seu relatório mensal, divulgado hoje.
A Ernst & Young prevê que a Zona do Euro termine o ano praticamente estagnada. A região deve expandir apenas 0,2%, após uma alta de 1,6% prevista em 2011.
A empresa de auditoria estima que o total de empréstimos na região tenha contração de 0,9% em 2012, uma revisão para baixo da expectativa anterior, de crescimento positivo de 1,2%.
Liquidez
Em dezembro, o BCE forneceu € 489,2 bilhões para 523 instituições de crédito da Europa, em empréstimo de três anos. Em relatório, o BCE avaliou que o auxílio aos bancos colaborou para a melhora nos mercados de dívida.
A segunda oferta de liquidez deve ocorrer em 28 de fevereiro.
No início deste ano, foi divulgado que os depósitos dos bancos no BCE atingiram valores recordes, o que levantou suspeitas de que as instituições estavam segurando o dinheiro.
"O aumento da liquidez, medido no dia do acordo do programa de financiamento de três anos, foi igual a € 193,4 bilhões", calcula o BCE.
O BCE afirmou que a primeira operação, a taxa foi elevada pois os bancos consideraram que os custos de captação eram substancialmente mais baixos do que no mercado.
Para a Ernst & Young, o empréstimo do BCE foi uma solução pontual, mas os bancos continuarão enfrentando custos altos de financiamento.
"A ironia é que, dado o elevado nível de depósitos atualmente existentes no BCE, estes recursos extras acrescentaram pouca liquidez a mais ao mercado", afirmou a Ernst & Young em relatório.
"A Europa está em uma situação mais complicada porque não possui o mesmo dinamismo dos Estados Unidos", aponta Fábio Galla, economista da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EAESP).
Mercados
Com a enxurrada de notícias positivas no início do ano, os mercados estão otimistas. O S&P 500 acumula alta de 4,6% desde o início do ano, e de 9,1% nos últimos 30 dias.
Informações como a de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) pretende captar mais US$ 500 bilhões para auxiliar os países com dificuldades influenciou o ânimo dos investidores. A retomada das negociações entre a Grécia e os credores privados também animou os mercados nesta semana.
"O preço nos mercados incorpora toda a informação disponível agora", diz Galla. "Se as coisas mudam, o mercado também altera o preço, e é isso que se reflete agora." Ele explica que o rebaixamento dos países já estava incorporado às ações, provavelmente desde o ano passado.
"O mercado viu sinais melhores no horizonte, com melhora no desemprego dos EUA, uma possível solução do problema fiscal na Europa e crescimento muito forte da China", diz.
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