Trabalho de conclusão de curso vira plano de negócios para lançar marca de roupas para ginástica.
Toda graduação tradicional exige ao final de seu período a entrega do temível trabalho de conclusão de curso. Universitários passam cerca de um ano em uma relação intensa de amor e ódio que promete a "carta de alforria" e, finalmente, a oportunidade de entrar de cabeça no mercado de trabalho.
Pode-se dizer que para Tatiana La Pastina Krzyzanowski o TCC não acabou. O cenário de um TCC sem fim para a maior parte dos estudantes pode ser de um pesadelo, mas para a designer gráfica trouxe o sonho do próprio negócio para a realidade: uma marca de roupas femininas para ginástica com fabricação própria.
No ano 2000, enquanto pensava no tema de seu trabalho de conclusão de curso, já sabia que seria algo ligado ao vestuário feminino. "Fiz faculdade de desenho industrial e queria fazer algo em relação à moda", afirma.
A inspiração veio - como em muitos casos de empreendedorismo - de uma necessidade própria. Além de cursar design gráfico, Tatiana trabalhava e frequentava uma academia. Foi quando percebeu que o nicho ainda era pouco explorado naquela época.
"Só tinha Nike e Adidas. Sentia falta de uma roupa esportiva que não tivesse cara de academia. Queria uma roupa versátil", conta.
Durante sua pesquisa para o TCC, Tatiana descobriu que as empresas já começavam a usar os chamados "tecidos tecnológicos", que agregam outras funções, como fator de proteção solar, secagem rápida e evaporação do suor. Atualmente, ela usa em suas coleções tecidos ecologicamente corretos, viscose e lycra.
Capital inicial
Depois de decidido o foco e da programação visual pronta, Tatiana partiu para a produção, em 2001. Sua mãe tinha um ateliê de costura que produzia roupas sob medida. "Conversei com a minha mãe para saber se poderia produzir as peças para mim, mas ela não produzia em série, era algo bem artesanal".
Ao mesmo tempo, apresentou suas ideias ao Sebrae. O plano de negócio foi aprovado e Tatiana conseguiu subsídio de 80% de uma consultoria de produção, marketing e administração.
No início, a produção - sob a tutela da mãe e outras duas costureiras e um cortador - era de 700 peças por mês. Após a consultoria do Sebrae, o número saltou para duas mil peças. Atualmente é de cinco mil.
A Mulher Elástica conta hoje com o site com vendas on-line, quatro lojas (duas em Londrina e uma na capital paulista, além de uma franquia em Maringá) e fábrica em Londrina.
"A primeira loja de Londrina foi aberta em julho de 2001, com R$ 7 mil. Desenhei a coleção e os móveis. Hoje temos um arquiteto", relembra a empresária, que pretende ampliar as franquias, que demandam investimento inicial de R$ 233 mil.
Por enquanto, as vendas em lojas físicas ainda superam as virtuais, mas o e-commerce registra crescimento de 400% desde 2008, quando entrou no ar.
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