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Mara Sampaio

Mudar, verbo intransitivo

20/12/11 07:34 | Mara Sampaio - Psicóloga e especialista em cultura empreendedora



Mudar. Hoje em dia, esse verbo tornou-se uma palavra de ordem. Vive-se num mundo cada vez mais imprevisível e a resposta mais frequente a esse ambiente de incertezas é a disposição para mudanças constantes.

A necessidade de adaptação a essa realidade que impõe alterações frequentes de comportamento, principalmente quando as coisas não vão bem, é o tipo de mudança mais comum na vida das pessoas e das empresas.

O problema é que as mudanças, feitas para atender necessidades emergenciais, produzem resultados superficiais. Logo aparecem novas insatisfações, que impõem outras mudanças. E assim por diante.

Existem dois tipos de mudanças: as que provocam alterações e as que produzem transformações. As primeiras podem modificar o comportamento de uma pessoa sem necessariamente afetar seu jeito de ver o mundo.

É o que acontece quando mudamos os móveis da casa de lugar ou até quando trocamos de emprego. O resultado desse tipo de ação é uma felicidade momentânea. E só. As transformações são mais profundas. Elas quebram paradigmas e produzem novos princípios. E dão novos significados para novos comportamentos.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com o engenheiro químico Edgar Corona que, em 1996, deixou o posto que ocupava na administração da usina de açúcar e álcool de sua família para se transformar em dono de uma academia de ginástica.

Depois disso, deixou o interior, passou a morar em São Paulo e se transformou de senhor de engenho em líder de pessoas na gestão de seu negócio. Hoje sua rede de academias, a Bio Ritmo, atende a mais de 100 mil clientes em 58 unidades com 1250 colaboradores.

No novo negócio, Edgar pôde por em prática o estado permanente de transformação da realidade que é a motivação principal de um empreendedor - que é, por natureza, inquieto.

A oportunidade de sempre fazer algo novo dá sentido à sua vida e as mudanças, para ele, nunca são obra do acaso, mas significativas e intencionais. Essa é a questão.

No caso de Edgard Corona, a intenção de mudar surgiu depois de um acidente de automóvel em que fraturou um dos joelhos. Durante as sessões de fisioterapia a que precisou se submeter, decidiu que investiria numa academia na qual havia se tornado sócio.

Seu hobby - a atividade física - se tornaria seu negócio. Muitas transformações aconteceram desde a abertura da primeira unidade. Na busca de aperfeiçoar-se na gestão empresarial, descobriu que precisava mudar seu modelo mental.

Buscou novos propósitos e significados pessoais para dirigir seu negócio. Passou a ser mais visionário e enxergar sua empresa de forma sistêmica: não adianta ter os equipamentos mais modernos sem pessoas bem treinadas para utilizá-los.

Como empreendedor Edgard acredita que é mais útil do que teria sido como engenheiro. Seu foco passou a ser o bem-estar dos clientes, num ambiente de trabalho de confiança e parceria com equipes talentosas.

Capazes de acompanhá-lo em suas mudanças. Em 2012, pretende expandir a Bio Ritmo para outros países. O primeiro destino é o México. Também pretende continuar se transformando, pois é na transformação que nos realizamos como pessoa e conquistamos a felicidade mais duradoura.

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Mara Sampaio é psicóloga e especialista em cultura empreendedora


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