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Análise

"Não há motivos para temer escassez de crédito na China"

Felipe Peroni   (fperoni@brasileconomico.com.br)
12/01/12 18:11


"Fazendo um balanço, o cenário macroeconômico está razoavelmente saudável", diz Jean-Pierre Lehmann

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Indicadores da China elevam as incertezas sobre a economia que é uma das principais locomotivas no mundo.

Nesta quinta-feira (12/1), foi divulgado que as vendas de automóveis cresceram 2,45% em 2011, face ao ano anterior, o menor crescimento em 13 anos. Também foi revelado que as importações cresceram 11,8% em ritmo anual em dezembro, ante uma alta de 22% no mês anterior.

Para Jean-Pierre Lehmann, professor de economia internacional da escola de negócios suíça IMD, a tese do pouso suave continua sendo a mais provável. Segundo o professor, a força da economia chinesa supera os riscos.

Além disso, nesta manhã, foi publicado que a inflação anual no país atingiu 4,1% em dezembro, frente a 4,2% no mês anterior. Lehmann acredita que o desempenho do indicador nos últimos meses mostra que a inflação voltou a um nível controlado.

Hoje foi divulgado que as vendas de veículos na China desaceleraram, e nesta semana a balança exterior mostrou um arrefecimento nas importações. Estão crescendo os riscos de um pouso forçado?

Atualmente há um tremendo debate sobre as projeções para a economia chinesa, dentro e fora da China. Existem claros riscos sistêmicos.

Há uma preocupação sobre o setor imobiliário e os receios de que possa haver uma bolha. Contudo, existe também uma considerável tenacidade na economia da China.

A visão mais consensual, da qual eu compartilho, é que o crescimento da China vai recuar em relação ao ano passado — o que é um objetivo claramente expresso no décimo segundo plano quinquenal, de todas as formas — e é muito mais provável que a China tenha um pouso suave do que um pouso forçado.

Contudo, como uma locomotiva global do crescimento, a China vai desacelerar, e isso terá implicações para o Brasil.

Hoje foi revelado que a inflação na China ficou praticamente estável em dezembro. Os preços vão ser um problema para o país neste ano?

A inflação está estabilizada, e os riscos parecem mitigados. Contudo existem muitas incertezas, das quais a mais crítica é se vai haver uma outra crise de alimentos.

Os salários e o emprego estão subindo, no entanto, a produtividade também. Fazendo um balanço, o cenário macroeconômico está razoavelmente saudável.

Após a crise de 2008, a China reagiu acelerando seus investimentos, via crédito. Os bancos chineses têm força para usar esse recurso?

O sistema financeiro da China necessita de uma profunda reforma. Há também um sistema financeiro paralelo, em que fluem milhões basicamente sem nenhuma contabilidade. Mas, não vejo motivos para temer uma escassez de crédito na China. 


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