As primeiras histórias de inovação aberta não são recentes, remontam dos tempos de Napoleão. Ele foi um dos pioneiros a lançar um torneio para encontrar uma solução para conservar alimentos para as tropas durante as longas marchas do inverno europeu.
Motivado pelo chamado da pátria, um confeiteiro e chefe francês idealizou e desenvolveu a técnica que deu origem às comidas enlatadas. Por sua contribuição, recebeu 12 mil francos de recompensa.
A busca da inovação extrapolou os limites físicos e geográficos de uma empresa. A necessidade de ampliar a produtividade da inovação tem ensejado companhias de diferentes portes e setores a obterem auxílio externo para inovar.
As diferentes fases da cadeia de valor da inovação podem ser alavancadas com o aproveitamento de competências disponíveis em outras empresas, profissionais liberais, institutos de pesquisa, academia e clientes.
Muito se fala de inovação aberta, co-criação, crowdsourcing, inovação em rede, etc. Mesmo assim, o número de empresas que consegue efetivamente utilizar essas práticas para inovar ainda é restrito.
Separei quatro fatores que considero críticos para fazer essas iniciativas funcionarem. O primeiro é direcionamento. As campanhas de inovação aberta precisam ter um direcionamento bem definido, ou seja, que tipo de colaboração queremos e para quê. É a chamada estratégia de inovação.
Queremos que nos ajudem a inovar em quê? Isso serve para mobilizar as pessoas em prol do objetivo desejado.
O segundo é: torneio ou contínuo? Essa é uma decisão fundamental. Vamos deixar o canal aberto permanentemente ou serão torneios específicos, com começo e fim definidos.
A P&G, com o Connect &Develop, mantém o canal permanentemente aberto, incluindo desafios, que são retirados quando as soluções desejadas são encontradas. Outras empresas, como a Pepsico, com o Faça-me um Sabor do Ruffles, realizou um torneio.
A escolha passa por uma questão simples: por quanto tempo temos como manter mobilizados os públicos-alvo das campanhas?
Públicos são a terceira questão: a seleção das fontes mais adequadas para cada empresa depende de seus objetivos com a inovação, sua cultura de relacionamento com os envolvidos e o nível de maturidade dos mesmos.
Os clientes têm sido a fonte mais comum de inovação para as empresas como parte do desenvolvimento de produtos, geração de novas ideias e sugestões. Outras iniciativas envolvem universidades, fornecedores e inventores independentes.
Um estudo recente de mais de 150 desafios realizados no portal de inovação aberta Innocentive mostrou que, ao contrário do senso comum, a maioria das soluções vencedoras veio de pessoas que não estavam diretamente ligadas à área do desafio. Isso mostra a importância de ir além das fontes óbvias e buscar quem possa pensar de forma criativa.
O quarto aspecto são as recompensas. Criar mecanismos de reconhecimento ou recompensa para fomentar a participação é fundamental para criar um fluxo contínuo de ideias.
Essa simbologia serve como motivação para quem busca o "prêmio", mas também dá um ar de seriedade ao desafio, reforçando o estímulo para que se coloque tempo e recursos na busca pela melhor solução.
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Felipe Scherer é sócio-fundador da Innoscience, professor da ESPM-Sul e autor do livro Gestão da Inovação na Prática
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