A Natura pretende acelerar o ritmo de investimentos a partir de 2010, sem promover mudanças significativas em seu nível de alavancagem.
De acordo com o vice-presidente de Finanças e Jurídico da companhia, Roberto Pedote, a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda estava em 0,4 vez no terceiro trimestre e deverá permanecer perto do mesmo nível.
"Não mudamos o conceito de balanço desalavancado. Pode haver alguma mudança, mas não para muito mais do que isso", disse em teleconferência com jornalistas nesta quinta-feira (22), para comentar o desempenho da Natura no terceiro trimestre.
Em 2009, os investimentos da companhia devem totalizar US$ 140 milhões, cifra que certamente será superada nos próximos anos, segundo Pedote. O orçamento para o ano que vem ainda não foi aprovado.
Na quarta-feira, a companhia anunciou que seu Conselho aprovou a emissão de R$ 350 milhões em debêntures que, segundo Pedote, serão utilizados para rolagem de dívida de curto prazo.
Ainda em 2009, os principais acionistas da companhia levantaram cerca de R$ 1,5 bilhão em uma oferta secundária - nesse caso, os recursos não vão para o caixa da empresa.
"Temos um balanço muito compatível para uma nova etapa de crescimento", afirmou.
A aceleração do ritmo de investimentos da Natura está relacionada à implantação de um novo modelo de produção e distribuição da companhia, que está em estudo.
"Esse modelo que temos, centrado em Cajamar (SP), não é o mais adequado, nem do ponto de vista ambiental", justificou Pedote.
O novo modelo, acrescentou, poderá incluir uma fábrica própria em outra localidade, incluindo território estrangeiro, ou ainda parcerias e terceirização. "No primeiro trimestre (de 2010) deveremos ter mais claro um novo modelo de produção."
Na quarta-feira à noite, a Natura anunciou lucro líquido de R$ 190,2 milhões no terceiro trimestre, resultado que se compara ao ganho de R$ 159,7 milhões um ano antes.
A receita líquida trimestral da companhia totalizou R$ 1,05 bilhão, com crescimento de 15,9% ante os R$ 909,9 milhões verificados de julho a setembro de 2008.
O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) totalizou R$ 272,1 milhões, contra R$ 238,5 milhões um ano atrás. Desta forma, a margem Ebitda da empresa ficou em 25,8% no intervalo e alcançou 24,1% no acumulado de nove meses.
"Demos uma estimativa de margem Ebitda de no mínimo 23% para 2008, 2009 e 2010 que está se confirmando", comentou.
Segundo Pedote, a companhia não pretende alterar a previsão sobre margens, apesar da recuperação da economia, uma vez que o mercado brasileiro seguirá bastante disputado.
Internacionalização
Em relação às operações internacionais, que no terceiro trimestre responderam por 7,2% da receita líquida consolidada da Natura, o executivo informou que a expectativa é de aumento da parcela nos resultados. "Queremos que (a operação internacional) tenha uma fatia maior. Talvez em quatro ou cinco anos, ela possa dobrar. Mas os negócios domésticos também vão crescer."
No acumulado do ano até setembro, as operações na Argentina, Chile e Peru já apresentavam Ebitda positivo, de R$ 9,5 milhões. Na Colômbia e no México, incluindo Venezuela, cuja unidade foi encerrada em junho, o Ebitda em nove meses, contudo, está negativo em R4 32 milhões. "Devemos levar algum tempo ainda para reverter isso", afirmou Pedote.
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