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Luciano Martins Costa

Nova ação empresarial não admite retrocessos

26/01/12 07:40 | Luciano Martins Costa - Jornalista e escritor, consultor em estratégia e sustentabilidade



Ambientalistas radicais costumam se opor à ideia dos ajustes de conduta que impõem a desmatadores a tarefa de reconstituir florestas, com o argumento de que nada pode substituir os arranjos biológicos naturais.

De fato, a complexidade da Mata Atlântica, por exemplo, não pode ser refeita com o simples replantio de espécies típicas, porque é humanamente impossível recompor tamanha diversidade.

No entanto, o processo de perdas do patrimônio vegetal tem sido tão grave no Brasil que alguma concessão sempre se torna necessária.

Convém considerar que, mesmo onde a mão do homem não pesa, a floresta costuma produzir ciclos de perdas e recuperações, com quedas provocadas por vento e chuva e incêndios espontâneos.

Em trechos interiores da Floresta Amazônica, por exemplo, pode-se encontrar clareiras que meses antes não estavam lá e que semanas depois já estarão recobertas pela vegetação.

Alguns processos naturais, que mesmo um leigo observa, mostram como a embaúba, árvore muito importante na alimentação de pássaros e outros animais, ocupa rapidamente essas clareiras, abrindo espaço para o crescimento de outras espécies à sua sombra.

Em programas de intervenção humana, deve-se considerar as características das áreas a serem recuperadas, como a floresta que predominava antes do desmatamento, se secundária em regiões ocupadas por pastagens, ou se composta de fragmentos de mata nativa.

Em regiões próximas de grandes florestas, a recuperação de áreas degradadas apresenta melhores resultados por causa da ação dos dispersores de sementes, como os pássaros.

Nesses casos, como ocorre em municípios do Pará que tentam substituir o modelo predador pela exploração sustentável do patrimônio vegetal, tem sido aplicada a técnica mista da regeneração natural com o replantio de espécies economicamente mais valiosas.

Nessas áreas onde a natureza trata de espalhar seus espécimes, a recuperação das florestas tem um valor ambiental mas não contribui para a criação de alternativas para a exploração tradicional que levou à degradação.

A mescla da regeneração natural com o plantio de espécies nativas selecionadas permite não apenas recuperar o patrimônio ambiental como contribui para o desenvolvimento de uma mentalidade oposta à do desmatamento, pelo valor da árvore em pé.

No caso de zonas industriais onde a árvore é fornecedora de matéria-prima, agente de regulação climática e de equilíbrio dos níveis de umidade do ar, a questão é importante apenas do ponto de vista do negócio, como ocorre no entorno das fábricas de celulose.

Nesses casos, em geral se cuida apenas das florestas homogêneas, compostas pelas espécies usadas na indústria, como reservas estratégicas.

Mas onde os projetos de reconstituição das florestas faz parte de um plano mais amplo, que envolve o valor do ambiente para o turismo, por exemplo, é preciso contar com a adesão da população local.

O que chama atenção em projetos desse tipo é que, menos de três décadas depois, a sociedade e as empresas não podem mais admitir a existência de ambientes infernais como foi, até quase o final dos anos 1980, o polo petroquímico de Cubatão, no litoral paulista.

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Luciano Martins Costa é jornalista e escritor, consultor em estratégia e sustentabilidade


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