Os meus primeiros contatos com a Apple ocorreram nos anos 80, quando meu pai criou uma empresa de treinamento em informática. Lembro de ver um conjunto de microcomputadores de cor bege, entre eles o Apple II.
O tempo passou.Anos mais tarde, comprei meu primeiro PC. Conheci também o Windows. Naquele momento, a empresa da maça era uma atuante de nicho, focada em quem fazia uso pesado de aplicações gráficas. Steve Jobs não estava lá e a situação não era das melhores.
Comecei a virar fã da Apple quando comprei meu primeiro iPod. Três anos mais tarde, conheci a loja conceito em Nova York e comprei meu primeiro Macbook. Depois adquiri um iPad para facilitar minhas viagens. Paralelamente, ao longo da minha carreira como pesquisador e consultor, acompanhei os cases da empresa sob o prisma da gestão.
Com a fundação da Innoscience, foi impossível não compreender e admirar a Apple. Analisamos seus movimentos e seus êxitos, aprendemos com seus fracassos e saudamos sua ousadia em distintas oportunidades.
Nesse momento em que Jobs deixa a posição de CEO da Apple, surgem muitas dúvidas se a capacidade de inovação da empresa é uma competência organizacional ou produto de sua inspiração. Espero que a resposta seja a primeira alternativa, mas não tenho dúvidas sobre a influência pessoal de Jobs.
Sempre tive o receio de usar os cases das empresas que são benchmark em determinados temas. A gestão é uma ciência contextual na qual o resultado da aplicação de determinada teoria depende diretamente das circunstâncias em questão. No entanto, como homenagem ao legado de Jobs, optei por destacar sua contribuição com a disciplina da inovação.
Orientação para o design: nada na Apple é "só um detalhe". O detalhe é o centro de tudo. Do design das lojas ao botão do iPod, o foco é proporcionar uma experiência funcionalmente superior.
Foco no "user friendly": não há uma tradução perfeita para a expressão em inglês que marca as criações da Apple. Tudo origina-se no usuário. A empresa emprega novas tecnologias e reutiliza existentes no sentido de gerar uma experiência mais amigável.
Produtos emblemáticos: a Apple ficou conhecida e reconhecida por sua capacidade de desenvolver produtos fantásticos. Do Machintosh ao iPad. Produtos que criaram ou reconceberam indústrias inteiras.
Modelo de negócio: os grandes sucessos ocorreram quando seu modelo de arquitetura fechada "fazemos tudo" evoluiu para um modelo de negócios de "ecossistema". A empresa soube como ninguém, nos últimos 10 anos, criar e capturar valor na indústria de tecnologia e eletrônica.
Encantamento do cliente: isso está presente desde a geração de rumor sobre seus produtos até os eventos de lançamento, com apresentações de Jobs, passando pela relação aspiracional estabelecida com seus clientes. A Apple vai deixar marcada na história empresarial uma relação altamente afetiva com seus clientes marcada por um fluxo contínuo de surpresas.
Não houve até agora melhor exemplo de eficiência em gestão da inovação. Independente do seu tempo, natureza ou frequência do contato com a Apple, o legado de Jobs será lembrado por todos que de alguma forma conheceram a empresa da maça.
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Maximiliano Carlomagno é sócio-fundador da Innoscience e autor do livro Gestão da Inovação na Prática
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