Empresas do mundo inteiro continuam depositando as esperanças no Brasil como um dos países mais importantes para a expansão de seus negócios em 2012.
Ficamos na terceira colocação neste quesito, após China e Estados Unidos, segundo avaliação de dirigentes de empresas ouvidos em pesquisa da PriceWaterhouseCoopers divulgada na semana passada na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Como não poderia deixar de ser, o levantamento apontou que o aumento da base de clientes é um dos principais motivos que levam as empresas estrangeiras a investir nas economias emergentes.
O que surpreende, no caso do Brasil, é que 61% dos 1.258 entrevistados citaram o "acesso à base local de talentos" como um dos interesses das empresas e sua motivação para apostar no nosso país.
Reforçando: as empresas estrangeiras estão de olho em nossos talentos.
A constatação surpreende porque vai na contramão de outros levantamentos internacionais segundo os quais o Brasil vai muito mal em fatores que afetam a formação e capacitação dos profissionais.
Sem falar na crítica escassez de talentos.
No relatório de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial de 2010/2011, entre 139 países analisados, o Brasil que se candidata a ser a quinta maior economia dos próximos anos fica na vexaminosa 103ª colocação no quesito qualidade do sistema educacional.
No item qualidade da educação primária, despenca para o 127º lugar. Em relação à disponibilidade de cientistas e engenheiros, profissões diretamente ligadas à inovação, o país melhora a sua posição, mas não faz bonito: estaciona no 68º lugar.
Aliás, segundo a Capes, órgão do Ministério da Educação, o Brasil forma cerca de 40 mil engenheiros por ano, contra 220 mil na Índia, 190 mil na Rússia e 650 mil na China.
Não temos nenhuma universidade entre as 100 melhores do mundo segundo diversos rankings divulgados em 2011. No inglês QS World University, a USP, a melhor colocada brasileira, aparece na 169ª posição.
Se o Brasil não aparece bem no filme nos levantamentos internacionais que aferem a qualidade de nosso sistema educacional, por que as multinacionais estariam interessadas em nossos talentos?
Em primeiro lugar, porque nossos executivos conhecem o mercado local - e aqui é bom incluir os países da América Latina.
Num ambiente extremamente competitivo, os CEOs e outros altos executivos precisam conhecer profundamente e entender os hábitos e os fatores culturais que interferem no consumo.
Outro fator importante é que, com a crise na Europa e nos Estados Unidos e o crescimento da economia do Brasil, as filiais brasileiras passaram a ter importância no faturamento e na lucratividade das multinacionais.
Em contrapartida, os executivos dessas filiais, muitas vezes brasileiros, passaram a ter maior poder das organizações.
Além do mais, o perfil dos executivos brasileiros vem sendo valorizado pelas empresas com atuação global.
Eles têm grande capacidade para se adaptar a novos ambientes e culturas, para atuar sobre pressão e respeitar a diversidade.
----------------------------------------------------------
Marcelo Mariaca é presidente do conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School
Comentários
Últimas Notícias
- 21:00
Encerramento do Noticiário - 20:59
Paranapanema troca de diretoria para biênio 2012-2013 - 20:56
Istambul, Tóquio e Madri são finalistas para Olimpíadas de 2020 - 20:55
GE e XD Electric fecham parceria para transmissão e distribuição - 20:46
JPMorgan eleva recomendação de Natura e Hypermarcas - 20:39
BNDES concede empréstimo de R$ 310 milhões à Coelce - 20:20
Marketing promocional vai dobrar de tamanho até 2016







