Se conseguir levantar tantos recursos quanto se propõe, a megaoferta de ações da Petrobras vai não apenas encher os bolsos da estatal de petróleo, mas também ampliar a receita e o lucro da BM&F Bovespa.
Pudera. Somente a parte dos papéis que efetivamente vai para o mercado brasileiro, e não para as mãos dos controladores ou dos investidores estrangeiros, é estimada pelos analistas em R$ 22 bilhões.
É mais do que a maior oferta de ações já realizada no Brasil - a da Vale, em julho de 2008, que levantou pouco mais que R$ 19 bilhões.
Todo esse volume passará a integrar o rol de papéis transacionados na bolsa brasileira. E quanto mais operações no pregão, mais receita com as taxas de negociação, compensação e liquidação para a BM&F Bovespa.
Os negócios no segmento acionário representam cerca de metade da receita total da bolsa brasileira.
Estimativas da consultoria Equity Research Desk indicam que se a oferta conseguir levantar os cerca de R$ 111 bilhões inicialmente previstos (sem considerar os lotes suplementares), o incremento no lucro líquido da BM&F Bovespa pode atingir 1,6%.
Isso somente em função do aumento de ações disponíveis para operações a realizar no pregão.
"Trata-se de um impacto importante, considerando-se que estamos falando de uma só emissão", afirma o analista da Equity Research Desk, Bernardo Mariano. "Mas para a BM&F Bovespa como empresa não é muito."
Para o cálculo, Mariano partiu do atual volume de ações em circulação na bolsa brasileira de todas as empresas listadas na bolsa, de R$ 917 bilhões (ou 40% da capitalização total das companhias, de R$ 2,3 trilhões).
Comparou o faturamento da BM&F Bovespa a partir desse valor com o volume que será adicionado após a oferta, excluindo os impostos que incidem sobre a receita.
O ganho líquido adicional, com base no resultado pró-forma do primeiro semestre, seria de cerca de R$ 10 milhões.
Efeitos indiretos
Fazendo outra conta, a analista de instituições financeiras da Link Investimentos, Mariana Taddeo, encontrou números parecidos.
"O histórico das ofertas desde 2004 indica que, em média, 1% do volume levantado se reverte em negócios", diz. No caso da Petrobras, excluindo os R$ 75 bilhões que devem ficar com o governo, é de se esperar que a operação amplie o volume diário operado no segmento Bovespa em até R$ 225 milhões, ou 3,5%.
"Na receita da bolsa, o impacto seria de 1,75%, que deve ser parecido no lucro líquido", avalia. Já os analistas do Barclays Capital, Henrique Caldeira e Roberto Attuch, estimam que a oferta traga de R$ 500 milhões a R$ 700 milhões de volume adicional ao giro diário da bolsa.
Mariana lembra que a operação da petrolífera promete, ainda, causar efeitos indiretos na receita da bolsa. "Muitas ofertas de ações não vieram a mercado ainda à espera de Petrobras", diz.
Por outro lado, uma eventual elevação das cotações de Petrobras também tendem a beneficiar os ganhos da bolsa, já que as receitas são maiores quanto maiores são os volumes financeiros dos negócios.
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