Estatal será a primeira a se beneficiar de regra que reduz tempo de análise pela CVM
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Se a capitalização da Petrobras demorou mais de um ano para sair do papel, a oferta global de ações de estatal poderá ser aprovada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em apenas cinco dias úteis.
A companhia poderá se beneficiar do status de Emissor com Grande Exposição ao Mercado (EGEM), categoria criada pela autarquia quando da divulgação da Instrução nº 482, em março deste ano.
Por ter ações negociadas em bolsa há mais de três anos, cumprir com as obrigações periódicas nos últimos 12 meses e ter mais de R$ 5 bilhões de free float (valor de mercado das ações em circulação), a Petrobras irá declarar sua condição no pedido de registro da oferta pública, por meio de um documento assinado pelo diretor de relações com investidores (RI).
A Petrobras será a primeira empresa a usar a nova regra de registro automático de oferta de ações. Em vigor desde 1º de agosto, a medida reduz os prazos legais para que as grandes empresas, que já têm papéis negociados em bolsa de valores, possam vender novas ações.
Algumas pessoas chegaram a estranhar a coincidência da criação da categoria juntamente com o processo de capitalização da Petrobras. Mas a professora da Direito GV, Renata Prado, acredita na seriedade e competência do órgão regulador.
"A CVM é um órgão sério, que vem trabalhando na proteção do mercado como um todo. Não acredito que tenha sido proposital", afirma.
De acordo com ela, quanto mais rápido a oferta sair do papel, menor será o impacto nas ações. "Até que a oferta ocorra, os papéis vão continuar oscilando. Então, pensando por esse lado, é melhor que essa operação saia o quando antes possível", completa.
Início do processo
Enquanto os detalhes da oferta global de ações não são conhecidos, os investidores se preparam para saber como devem agir.
"Agora, os investidores terão de se debruçar sobre os números e digerir uma quantidade relevante de informações para tomar a decisão de entrar ou não na oferta. Acho que ninguém ainda mergulhou nos detalhes. Faltou falar com quem vai pagar pela festa", disse Wilber Colmerauer, sócio da consultoria Brazil Funding.
Segundo o executivo, somente a partir da definição do preço é que a companhia poderá convidar os investidores para participar dos road shows e começar a explicar com mais detalhes a operação. "O processo será corrido", ressaltou.
Detalhes da operação
Na noite de ontem (2), o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e o diretor financeiro e de relações com investidores (RI), Almir Barbassa, disseram, durante teleconferência com analistas, que o road show para apresentar a operação de transferência de barris terá início na segunda-feira e passará por Europa, Estados Unidos, Ásia e Oriente Médio.
A estatal petrolífera vai dividir sua diretoria em dois grupos: um liderado por Gabrielli e outro por Barbassa. As apresentações devem durar duas semanas.
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