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A oferta da Embratel pela Net ficou abaixo do valor justo das ações preferenciais da maior empresa de TV paga do Brasil, ainda que tenha sido suficiente para impulsionar o preço dos papéis na Bovespa.
Vários analistas tinham preço-alvo para a ação preferencial da Net acima dos R$ 23 apresentados pela Embratel em oferta pública de aquisição revelada na manhã desta quinta-feira (5), uma operação que pode chegar a R$ 4,58 bilhões considerando adesão de todos os acionistas da Net.
Para Slim, a compra da Net é fundamental para integração de seus ativos no Brasil. Além da presença na Net e Embratel, ele é dono da operadora móvel Claro no país.
Conforme relatórios obtidos pela Reuters, dos preços-alvos de sete corretoras para a ação da Net, apenas o da Link era de R$ 23. Os demais eram de R$ 24 a quase R$ 30.
"Vinte e três reais é pouco, um grande desconto em relação a pares globais. A Net vale mais", segundo o analista Carlos Sequeira, do BTG Pactual.
"Se a Net fosse avaliada em linha com concorrentes globais, um preço justo seria de R$ 28", acrescentou Sequeira, ele próprio com preço-alvo "relativamente conservador" de R$ 25 para Net.
O analista do BTG estima aceitação de até um terço dos acionistas minoritários da Net à oferta.
Com visão parecida e apostando em R$ 28 como preço correto para a ação da Net, a corretora Ativa acredita ser possível que a adesão à oferta "não seja de 100%".
UBS e Citi tinham ambos R$ 24 de valor potencial para a ação da Net. Pouco após a publicação do fato relevante pela Embratel tornando pública sua oferta, o analista Tomás Lajous, do UBS, cortou o preço-alvo para os mesmos R$ 23.
O analista James Rivett, do Citi, afirmou que a proposta parece baixa, embora seja oportunidade de se desfazer das ações da Net.
A analista Beatriz Battelli, da Brascan Corretora, é a mais otimista, com preço-alvo de R$ 29,57 para a ação da Net.
Em relatório, ela levanta a possibilidade de elevação do preço apresentado pela Embratel, "com o objetivo de aumentar a aceitação dos acionistas".
Já a Link destoa das demais corretoras, ao considerar justa a proposta pela Net e afirmar que "são grandes as chances de uma elevada adesão" dos minoritários.
"Com a provável futura redução de liquidez e com preço da oferta em linha com nosso preço-alvo, recomendamos a adesão."
As ações preferenciais da Net avançavam 13,5% às 14h59, para R$ 22,70. Na máxima até esse horário, os papéis chegaram a subir quase 15%, a R$ 22,95.
Segundo fato relevante da Embratel, sua oferta representa um prêmio de 23,1% sobre a média de preços da ação da Net nos últimos 30 pregões na bolsa paulista.
O valor da oferta será pago à vista e a operação é intermediada pelo Itaú BBA.
Sem controle direto
Slim já tem presença no capital votante da Net, mas a legislação o impede de ter o controle - empresas de TV por assinatura no Brasil não podem ter como acionista majoritário um estrangeiro, mas um projeto de lei pode mudar isso.
A GB Empreendimentos e Participações tem 51% das ações ordinárias da Net. Nessa holding, a Telmex, de Slim, tem 100% de participação sem direito a voto e 49 por cento do capital votante.
As Organizações Globo, da família Marinho, detêm 51% do capital votante da GB - caracterizando, portanto, controle nacional da Net.
Além disso, a Embratel possui 35,8% das ações ordinárias e 5,4% das preferenciais da Net.
O analista Lajous, do UBS, acreditava que Slim esperaria pela mudança na lei brasileira antes de lançar uma proposta de compra das ações da Net, mesmo pelos papéis sem direito a voto.
"O anúncio vem bem antes do esperado e é surpreendente."
Para Rivett, do Citi, a oferta tem um caráter oportunista. A ação da Net encerrou 2009 valendo R$ 24 e acumulava queda expressiva no acumulado de 2010.
"Também é um sinal de que a Embratel vê mudanças no curto prazo nas restrições ao capital estrangeiro no controle (de empresas de TV por assinatura)", afirmou o analista do Citi.
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