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Telecom

Ongoing amplia para 10% sua participação na Portugal Telecom

Thaís Costa   (thcosta@brasileconomico.com.br)
03/06/11 12:17


Nuno Vasconcellos, presidente executivo da Ongoing: por possuir estratégia de internacionalização, a PT não reflete as dificuldades de Portugal

Nuno Vasconcellos, presidente executivo da Ongoing: por possuir estratégia de internacionalização, a PT não reflete as dificuldades de Portugal

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O investimento teve como principal motivação a solidez financeira desfrutada pela operadora portuguesa, cuja maior parcela de receita tem origem fora de Portugal.

Ao ampliar a participação no capital da Portugal Telecom de 6,77% para 10,05%, em investimento de € 250 milhões, a Ongoing cumpre sua vocação de consolidar atuação em telecomunicações, mídia e tecnologia com abrangência internacional.

Ao mesmo tempo, dá um passo na direção do fortalecimento do núcleo de controle da operadora portuguesa, composto em conjunto com a Capital Research and Management (10,09%), o Banco Espírito Santo (10,03%), a Caixa Geral de Depósitos (6,26%) e a Telemar (7%), afirmou Nuno Vasconcellos, presidente executivo da Ongoing, que também detém 30% do capital da Ejesa, que edita o Brasil Econômico.

"Não foi uma operação fácil", afirmou o empresário referindo-se às dificuldades econômicas enfrentadas no momento por Portugal e refletidas no mercado financeiro. "Mas o fato de a operação ter sido fechada num momento sensível como este, em que o país requer a ajuda do FMI, reflete a boa condição financeira do grupo", argumentou o diretor de comunicação, Ricardo Santos Ferreira.

Houve uma troca de títulos conhecida como equity swap, afirmou Ferreira sem identificar a instituição financeira. Sabe-se, apenas, que o banco não tem capital de origem portuguesa, e sim internacional.

Solidez atrativa

O interesse da Ongoing em expandir sua fatia de controle da PT ocorreu pela possibilidade de consolidar proporcionalmente a participação de 10% numa companhia líquida e consistente como a PT, que vive bons momentos a despeito da situação difícil do país.

"A Portugal Telecom tem grande parte de sua receita vindo de fora, por isso não está sujeita às dificuldades atuais", lembrou Vasconcellos. No fim do ano passado, a Portugal Telecom vendeu sua metade na Vivo para a sócia Telefónica, encerrando uma longa disputa pelo controle da companhia móvel brasileira.

A seguir, adquiriu 25% das ações da Oi, outra companhia de telecomunicações brasileira, um mercado ainda em franco crescimento. Além disso, a PT possui operações na África.

Ongoing melhora balanço

Para a Ongoing, deter 10% de uma empresa líquida e sólida como a PT tem reflexo positivo no balanço. O porte do grupo pode ser estimado pelo resultado líquido obtido em 2010, de € 236 milhões, montante que a coloca entre as dez maiores de Portugal, ou ainda entre as 40 maiores companhias listadas no índice Bovespa.

"No exercício passado, recebeu dividendos de € 100 milhões somente da PT", lembrou Vasconcellos. Nova distribuição de dividendos está para acontecer no âmbito da operadora portuguesa, com o pagamento correspondente de € 1,30 a cada papel nas mãos de acionistas.

No entanto, segundo Vasconcellos, o aumento da participação estava definido e independe da distribuição generosa de dividendos. Também quanto ao quesito controle, sabe-se que o estatuto da PT impõe limite de 10% ao direito de voto dos controladores, ou seja, a aquisição de ontem leva a Ongoing a bater no teto.

Os próximos passos da empresa seguirão a estratégia definida de consolidar-se em telecomunicações, mídia e tecnologia, afirmou Vasconcellos. No ano passado, no Brasil, a Ejesa (da qual a Ongoing detém 30%) adquiriu o grupo O Dia, que edita os jornais O Dia, Marca Brasil e Meia Hora, depois de ter criado o Brasil Econômico, em 2009.


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