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Sustentabilidade

ONU mostra o que empresas fazem para ganhar com clima

Martha San Juan França   (mfranca@brasileconomico.com.br)
02/02/12 15:20


Impactos negativos das mudanças climáticas, como as enchentes, podem ser minimizados: empresas saem na frente

Impactos negativos das mudanças climáticas, como as enchentes, podem ser minimizados: empresas saem na frente

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Iniciativas de grupos como Nestlé, Microsoft e GlaxoSmithKline visam adaptação às mudanças que virão.

Duas palavras estão presentes no vocabulário dos especialistas que se dedicam às questões das mudanças climáticas: mitigação, ou redução de emissões de gases como o dióxido de carbono, que contribuem para o aquecimento do planeta; e adaptação, ou melhor, a preparação para as alterações previstas pelo aumento da temperatura.

Agora, o Secretariado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCC), órgão das Nações Unidas que coleta informações sobre as melhores práticas para lidar com o tema, resolveu dividir com a opinião pública algumas experiências de adaptação ao clima voltadas para obter lucros ou evitar perdas com as transformações que vão ocorrer no planeta.

A base de dados pode ser consultada online, na página da UNFCCC, e já conta com cem casos espalhados pelo mundo, colhidos com base em questionários preenchidos voluntariamente por representantes de grandes empresas como Nestlé, HSBC, Levis ou Microsoft.

O trabalho de pesquisa durou seis meses e foi coordenado pelo brasileiro Emerson Resende, que atua no Programa de Adaptação do órgão, com sede em Bonn, na Alemanha.

O objetivo, segundo Resende, é mostrar exemplos claros que ajudem o público a entender o que é adaptação e mostrar que ela não representa um custo adicional para a empresa, mas pode ser uma estratégia bastante lucrativa.

"Importante ter acesso a essa base de dados até porque muitas empresas podem estar fazendo alguma atividade de adaptação climática e não sabem", afirma Silneiton Silva Favero, coordenador do programa Sustentabilidade Global do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas. O centro deve promover este ano um evento voltado para o tema.

"É um passo a mais nos nossos programas como Empresas pelo Clima e o GHG Protocol, a elaboração e publicação pelas empresas de inventário de emissões de gases do efeito estufa segundo padrões internacionais.

Do ponto de vista da UNFCC, a divulgação dessas informações faz todo sentido. "Essas iniciativas mostram como o setor privado pode assegurar vantagens com antecedência ao se adaptar, e sem esperar por certezas políticas absolutas no nível internacional", disse Christiana Figueres, coordenadora do órgão da ONU.

Adaptação variada

O site levanta experiências em áreas distintas, algumas delas no Brasil. A Nestlé, por exemplo, desenvolve novas práticas agrícolas (melhor uso de água e solo e de fertilizantes) em plantações de café e cacau para garantir o cultivo em regiões mais expostas às intempéries climáticas. O projeto já existe em cultivos na África, Ásia e experimentalmente no Brasil (Espírito Santo).

Na Inglaterra, a GlaxoSmithKline, dona da marca de sucos Ribena, feito de groselha, fruto adaptado ao clima frio, fez uma parceria com um instituto de pesquisa, para identificar espécies da planta que se adaptariam melhor às futuras condições climáticas da ilha.

Pensando na ampliação de suas atividades em regiões menos desenvolvidas, a Microsoft estabeleceu parcerias público- privadas para levar o programa Research4Life para 107 países oferecendo acesso gratuito a mais de 4 mil periódicos científicos a estudantes, pesquisadores e acadêmicos.

Outro programa, o Eye on Earth, uma parceria com a Agência Ambiental Europeia, monitora em tempo real programas de conservação e disponibiliza esses dados online. A ferramenta pode ser usada para verificar ações de preservação ou acompanhar o avanço do desmatamento e, ao mesmo tempo, é uma formar de testar tecnologias de computação de nuvem.


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